quinta-feira, 26 de maio de 2016

Sepse: descoberto medicamento com potencial para tratamento

Pequenas doses de um fármaco utilizado no tratamento de cancro poderá interromper a resposta descontrolada do sistema imunitário à infecção que conduz à sepse e outras condições semelhantes, revela um estudo norte-americano publicado na revista científica “Science”.

A investigação levada a cabo por cientistas da Escola de Medicina Mount Sinai, nos EUA, revela que, tanto em cultura de células como em modelo animal, a utilização de uma pequena dose do inibidor topoisomerase I (Top 1) pode influenciar a resposta inflamatória aguda à infecção sem afetar o mecanismo de defesa do organismo.
  
A sepse é provocada por uma resposta excessiva do sistema imunitário do hospedeiro a uma infecção, o que pode conduzir a insuficiências em vários órgãos e, em último caso, à morte. De acordo com os investigadores, estes eventos ocorrem quando o corpo fica sem saber como ajustar o nível de inflamação, de modo que esta seja suficiente para suprimir a infecção, mas não em demasia a ponto de prejudicar o organismo. Esta condição possui uma taxa de mortalidade situada entre os 20 e 50% e é a décima causa de morte nos EUA, à frente da sida e do cancro da mama.

“Atualmente não existe qualquer tratamento orientado especificamente para a sepse ou para outro tipo de inflamações que promovam esta tempestade inflamatória”, pelo que um tratamento desse gênero é algo que Ivan Marazzi, autor sênior do estudo, considera “desesperadamente necessário”.

“Os nossos resultados sugerem que uma terapia baseada em inibidores Top 1 poderá salvar milhões de pessoas afetadas pela sepse, pandemias e outras deficiências congênitas associadas a episódios inflamatórios agudos, conhecidos como tempestade de citocina ou inflamatória”, revelou o cientista. 

No âmbito de um desafio lançado pelos Institutos Nacionais de Saúde, nos EUA, para descobrirem novas utilidades para medicamentos já existentes, a equipe de cientistas do Hospital Mount Sinai descobriu que a classe de fármacos inibidores Top 1, utilizados no tratamento do cancro, bloqueiam um conjunto de genes que são ativados pelas células do sistema imunitário para combater a infecção. 

A equipe de cientistas descobriu que a utilização de uma a três doses de um inibidor Top 1 com 1/50.º da quantidade utilizada na quimioterapia normal foi suficiente para recuperar 70 a 90% dos ratinhos com tempestade inflamatória em estado avançado e sem efeitos secundários perceptíveis.

Além de terem realizado esta experiência em ratinhos, os cientistas testaram igualmente o fármaco em células infetadas com vírus da gripe, Ébola e com outros microrganismos virais e bacterianos que estimulam em excesso o sistema imunitário e os resultados demonstraram a capacidade de este medicamento inibir a resposta imunológica excessiva.

Os autores indicam que este estudo contribui para aumentar o conhecimento acerca da patogênese do Ébola. “Encontrar medicamentos para estas tempestades inflamatórias provocadas por infecções é um objetivo global e estamos ansiosos por testar a capacidade de inibidores Top 1 salvarem vidas”, referiu Marazzi.

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