domingo, 12 de junho de 2016

Doença de Alzheimer: efeitos positivos da cannabis

“Alguns efeitos da cannabis poderão melhorar o consumo de energia pelo cérebro, que se encontra deficitário na doença de Alzheimer”, dá conta um estudo liderado pelos centros de Neurociências e Biologia Celular da (CNC) da Universidade de Coimbra (UC) e pela Investigação Biomédica em Doenças Neurodegenerativas de Espanha (Instituto Cajal).

O desafio futuro desta descoberta em ratinhos, publicada na revista “Neuropharmacology”, reside na separação das consequências negativas e positivas da planta, refere a UC, numa nota à qual a agência Lusa teve acesso.

O principal ingrediente psicoativo da marijuana, o tetrahidrocanabinol (THC), atua sobre dois receptores – CB1 e CB2 –, localizados no cérebro, que se distinguem como os “policiais maus e os policiais bons”.

“Os receptores CB1 estão associados à morte neuronal, distúrbios mentais e vício em diferentes drogas ou álcool”, enquanto os CB2, pelo contrário, “anulam muitas das ações negativas dos CB1, protegendo os neurônios, promovendo o consumo de glicose (energia) pelo cérebro e diminuindo a dependência de drogas”, refere a UC.

Os investigadores concluíram que “os receptores CB2, quando estimulados por análogos do THC quimicamente modificados para interagirem apenas com os receptores CB2 sem ativar o CB1, evitando os efeitos psicotrópicos e mantendo os efeitos benéficos, promovem o aumento de captação de glicose no cérebro”, explica o primeiro autor do artigo, Attila Köfalvi.

O estudo apurou ainda que este efeito do CB2 não se limita aos neurônios, mas estende-se a outras células do cérebro que ajudam ao funcionamento dos neurônios, os astrócitos. 

“No futuro, esta descoberta poderá abrir caminho para uma terapia paliativa na doença de Alzheimer”, referiu Attila Köfalvi.

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