domingo, 12 de junho de 2016

Enxaqueca pode aumentar risco de doença cardiovascular

As mulheres que têm enxaquecas apresentam um risco ligeiramente maior de desenvolverem doenças cardiovasculares, como enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), e são um pouco mais propensas a morrer devido a estas condições, conclui um estudo publicado no “The British Medical Journal”.

Na opinião dos investigadores, estes resultados vão ao encontro das evidências de que as enxaquecas devem ser consideradas um importante marcador de risco para as doenças cardiovasculares.

As enxaquecas têm sido consistentemente associadas a um maior risco de AVC, mas poucos foram os estudos que demonstraram que havia uma associação entre a enxaqueca e as doenças cardiovasculares, bem como com a mortalidade.

De forma a aprofundar melhor esta temática, uma equipa de investigadores dos EUA e da Alemanha analisaram os dados de 115.541 mulheres com idades compreendidas entre os 25 e 42 anos que não tinham angina ou doenças cardiovasculares. As participantes foram acompanhadas entre 1989 e 2011.

No total, 15,2% das mulheres tinham sido diagnosticadas com enxaqueca no início do estudo. Ao longo dos 20 anos do período de acompanhamento, ocorreram um total de 1.329 eventos cardiovasculares e 223 mulheres morreram devido a doenças cardiovasculares.

O estudo apurou que, comparativamente com as mulheres que não tinham enxaquecas, as que tinham apresentavam um risco maior de doença cardiovascular major, incluindo, enfarte agudo do miocárdio, AVC e angina, e de serem alvo de revascularização coronária. Estas associações mantiveram-se inalteradas após os investigadores terem tido em conta outros fatores que poderiam aumentar o risco destas doenças. 

O estudo apurou ainda que a enxaqueca foi associada a um risco mais elevado de mortalidade cardiovascular. Esta associação foi semelhante para todos os subgrupos de mulheres, que tiveram em conta a idade, hábitos tabágicos, hipertensão, terapia hormonal pós-menopáusica e utilização de contraceptivos orais.

Tendo em conta a elevada prevalência da enxaqueca na população geral é necessário compreender com urgência os processos biológicos envolvidos de forma a fornecer soluções preventivas para os pacientes, concluem os investigadores.

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