domingo, 12 de junho de 2016

Fígado pode desenvolver outras doenças além de cirrose e hepatite

Cirrose e hepatite são os termos mais conhecidos quando o assunto são doenças hepáticas. O entendimento sobre elas, entretanto, é insuficiente ou errôneo. As enfermidades do fígado podem ter origem genética, autoimune, de exposição a agentes químicos, medicamentos e chás. O que todas têm em comum é a dificuldade no diagnóstico, por falta de informação de pacientes e por lacunas na capacitação dos profissionais de saúde.

Antes de tudo, é preciso esclarecer que hepatite e cirrose são termos genéricos. “A hepatite significa uma inflamação no fígado e pode ter diversas causas, destacando-se viroses, medicamentos, chás, medicamentos fitoterápicos, doenças genéticas, exposição a tóxicos ambientais, obesidade e alterações de colesterol”, explica Raymundo Parana Ferreira Filho (CRM BA 8870), Médico Hepatologista e Professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). 

A cirrose hepática é o estágio final de qualquer doença hepática que não tenha sido diagnosticada a tempo de tratar a sua causa e, portanto, uma agressão ao fígado de longa data. As cicatrizes causadas pela doença podem causar a insuficiência renal.

Um dos erros mais comuns em relação à cirrose hepática é associá-la ao álcool, fator que está relacionado a apenas 20% dos casos. Apenas 15% dos pacientes que estão na lista de espera por um transplante de fígado, no Brasil, tem como causa o consumo de bebidas alcoólicas.  

Há, ainda, as doenças genéticas do fígado (com acúmulo de ferro ou de cobre), as doenças congênitas do fígado e os tumores. Segundo o Dr. Parana “é preciso lembrar que a maioria das doenças hepáticas não tem sintomas específicos durante um ano e, por isso, muitas vezes, o diagnóstico não acontece ou, quando acontece, é negligenciado pelo paciente”.

Doenças colestáticas: um capítulo a parte

Uma classe das doenças do fígado é chamada de doenças colestáticas. “O termo ‘colestáticas’ refere-se à colestase, que significa ‘dificuldade na excreção da bile’. Como a bile tem diversos componentes que precisam ser excretados, a retenção desses componentes no organismo causa doenças no fígado”, segundo o Dr. Parana. Entre elas, destacam-se a Colangite Esclerosante Primária (CEP) e a Cirrose Biliar Primária (CBP), atualmente chamada de Colangiopatia Biliar Primária.

“CEP e CBP são condições relativamente raras, mas não incomuns e já possuem tratamentos específicos atualmente, desde que sejam diagnosticadas a tempo”.  Segundo as Diretrizes de Doenças Colestáticas, publicadas em 2015 pela Sociedade Brasileira de Hepatologia, é possível controlar a doença, aumentar o tempo de sobrevida, reduzir a indicação de transplantes ou até estabilizar a doença.

Ainda de acordo com as Diretrizes de Doenças Colestáticas, tanto no tratamento de CBP como no tratamento de CEP, o Ácido Ursodesoxicólico é recomendado, mas a precocidade na introdução deste medicamento está diretamente relacionada ao sucesso terapêutico. “O tratamento evita que outros sintomas, como perdas vitamínicas e perda óssea manifestem-se.
Caso sejam percebidas, elas podem ser corrigidas durante o acompanhamento médico”, explica o médico.

O diagnóstico de ambas é simples. Ele é iniciado com a determinação de duas enzimas hepáticas (Fosfatase Alcalina e GGT). Se houver suspeita de Colangiopatia Biliar Primária, um teste chamado Anticorpo antimitocôndria pode confirmá-la, e, nos casos de Colangite Esclerosante Primária, a suspeita é confirmada com métodos de imagem, como a Colangiorressonância Magnética. O Dr. Paraná recomenda que “o exame de Fosfatase Alcalina e GGT seja realizado em todas as mulheres com mais de 45 anos. A Colangite Esclerosante Primária deve ser mais investigada em pacientes que apresentem evidências de doença crônica de fígado, em qualquer idade, e principalmente pacientes que tenham doença inflamatória intestinal, como, por exemplo, doença de Chron e Colite Ulcerativa”.

Conscientização sobre diagnóstico pode ajudar

 “O maior desafio atualmente é um comportamento a ser mudado. Quando falamos em check up, as pessoas pensam sempre em cardiologistas, ginecologistas e urologistas. Poucas pensam em hepatologistas. Uma maior prevenção das doenças do fígado poderia ser muito útil no diagnóstico precoce de doenças hepáticas”, finaliza o especialista. 

Com informações de Dikajob 

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