quarta-feira, 15 de junho de 2016

Nova técnica para cirurgia de implante coclear auxilia na preservação da audição natural

A preservação de restos de audição natural — audição residual — em pacientes com perda auditiva de grau profundo é atualmente um importante desafio na área de implante coclear. O assunto vem sendo bastante estudado entre os especialistas e, recentemente, a Equipe de Implante Coclear do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), sob a coordenação do médico otorrinolaringologista e professor Ricardo F. Bento, junto ao Departamento Clínico da Oticon Medical Brasil e o Departamento de Pesquisa da Oticon Medical em Nice, na França, realizou um estudo clínico utilizando uma nova técnica para a cirurgia de implante coclear, com o intuito de preservar ao máximo o resíduo auditivo apresentado por esses pacientes.

Esta nova técnica inclui o uso de medicamentos durante a cirurgia, como a dexametasona e o ácido hialurônico; a inserção do feixe de eletrodos pela janela redonda e o uso de um implante coclear específico e “atraumático”, o Digisonic EVO, desenvolvido pela Oticon Medical. O implante coclear Digisonic® EVO, foi desenvolvido visando à preservação da audição residual e apresenta um feixe de eletrodos mais fino, curto, e possui outras características como a presença de eletrodos com superfície plana, facilitando a sua inserção na cóclea e diminuindo o trauma intracoclear durante a cirurgia.

“Quando introduzido na cóclea, o feixe de eletrodos tradicional agride as células ciliadas. Para um paciente que tem perda de audição de grau profundo em todas as frequências, não há problema, porque essas células encontram-se danificadas. Porém, para os pacientes que têm algum resíduo de audição, é possível colocar o implante coclear dentro da cóclea, sem destruir as células que ainda estão em atividade”, explica Ricardo F. Bento, chefe do Departamento de Otorrinolaringologia e Coordenador do Serviço de Otologia do HC da FMUSP.

Estimulação eletroacústica


Conseguir preservar a audição residual durante a cirurgia de implante coclear permite que, após a cirurgia, estes pacientes consigam se beneficiar de um novo método de estimulação denominado “estimulação eletroacústica”, onde os pacientes podem receber, além do estimulo elétrico promovido pelo implante coclear, também uma estimulação acústica e “natural” da audição nestas frequências preservadas, melhorando assim a percepção de fala e a qualidade sonora destes pacientes implantados. A estimulação eletroacústica funciona como se o paciente usasse um aparelho de amplificação sonora individual e um implante coclear simultaneamente, de forma sincronizada.

Dessa forma, o estudo intitulado Preservação da Audição Residual com o Implante Digisonic® EVO: Resultados Preliminares, desenvolvido por Ricardo F. Bento, teve como objetivo avaliar a combinação dessa técnica cirúrgica que visa a um procedimento menos traumático possível — chamada de “soft-surgery” — com o uso de medicamentos como a dexametasona e o ácido hialurônico, bem como a colocação do feixe de eletrodos Digisonic® EVO pela janela redonda da cóclea com a utilização do implante coclear Digisonic EVO na preservação da audição residual de pacientes candidatos a cirurgia de implante coclear.

Essa técnica foi utilizada em sete pacientes candidatados a cirurgia de implante coclear e que apresentavam audição residual nas frequências até 1kHz, atendidos pelo Programa de Implante Coclear do HC. O resultado preliminar do procedimento obteve níveis significativos de preservação da audição residual em cinco pacientes, onde a técnica foi devidamente utilizada. Dois deles não foram submetidos à técnica devido a dificuldades na inserção do feixe de eletrodos pela janela redonda, e mesmo assim apresentaram uma preservação parcial da audição.

Os cinco pacientes que tiveram sua audição residual preservada durante a cirurgia de implante coclear foram ativados com o processador Zebra, da empresa Oticon Medical, responsável por realizar uma estimulação acústica nas frequências graves, preservadas durante a cirurgia, e uma estimulação elétrica, característica do implante coclear, nas frequências agudas onde não havia preservação. Estes pacientes serão então avaliados para determinar os benefícios da estimulação eletroacústica na percepção de fala e qualidade do som percebido em comparação à usuários de implante coclear que não tiveram sua audição residual preservada.

Os resultados obtidos com este estudo clínico foram publicados na revista international Archives of Otorhinolaryngology.

Com informações de Jornal USP - Redação Editorias: Ciências da Saúde
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Mais informações: (011) 3083-2260, com o professor Ricardo F. Bento, ou no (21) 2204-3230 / 99431-0001, email cristina@libris.com.br, com  Cristina Freitas; ou (21) 3072-7382 / 98014-0341, email raphaela@libris.com.br, com Raphaela Gentil 

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