sexta-feira, 3 de junho de 2016

Pesquisa britânica apresenta método que pode reduzir mortalidade do câncer de ovário

Apenas 25% dos casos de câncer de ovário são detectados em estágio inicial. Uma das dificuldades para aumentar o número de diagnóstico precoce é o caráter assintomático da doença, além da ausência de um método específico de rastreamento do tumor em grandes populações. Porém, segundo estudo organizado pela University College London e por outras instituições de saúde, uma nova maneira de realização periódica de exames como o ultrassom e o CA 125 (tipo de marcador tumoral, teste que procura determinada substância no sangue ou em outra parte do corpo), pode tornar esse diagnóstico mais eficiente e reduzir a mortalidade por casos de câncer de ovário.

A pesquisa, conhecida pela sigla inglesa UKCTOCS (UK Collaborative Trial of Ovarian Cancer Screening), selecionou 200 mil mulheres após a menopausa, entre 50 e 74 anos de idade, de 13 centros de tratamento da Inglaterra, da Irlanda do Norte e do País de Gales. Elas foram divididas em três grupos:

- 25% foram examinadas por um método chamado MMS (multimodal screening), cujo rastreamento ocorre pelo teste do marcador tumoral CA125, coletado em amostra de sangue; 
- Outras 25% seguiram com o procedimento USS (ultrasound screening), com a realização anual do ultrassom;
- Já os 50% restantes seguiram sem nenhum exame de rastreamento, como ocorre atualmente.

Resultados

Entre os casos elegíveis (sem contabilizar mulheres com alto risco de desenvolver câncer de ovário), houve redução da mortalidade em cerca de 15% entre as rastreadas pelo método MMS - teste do marcador tumoral CA 125 - em relação às que não realizaram triagem. "A avaliação inicial do estudo, entre os casos acompanhados pelo método MMS, apresentou uma taxa de estadiamento (estágio) I e II de 48%. A maioria das pesquisas anteriores demonstrava em torno de 25%. Esse aumento é importante e significativo", opina o Diretor do Departamento de Ginecologia Oncológica do A.C.Camargo, Dr. Glauco Baiocchi Neto.

De acordo com o especialista, o UKCTOCS modificou a metodologia do CA 125, exame realizado pelas mulheres acompanhadas no multimodal screening. "Geralmente, considera-se normal os resultados até 35 U/mL da substância. Nessa pesquisa, o número de corte foi estabelecido de acordo com a idade da paciente, com algumas reduções no valor que, com as novas determinações, aumentaram a quantidade de indicadas para novos exames", explica Dr. Glauco Baiocchi. No MMS, após repetir o CA 125 em pouco tempo e observar um aumento, realiza-se o ultrassom. Se neste novo exame aparecer alguma anormalidade, o paciente é encaminhado para cirurgia.

O oncologista, no entanto, ressalta: esses resultados ainda são iniciais. "Ainda não se sabe, por exemplo, qual o custo benefício desse procedimento. Mas, pela primeira vez, se fala em redução de mortalidade da doença", afirma o médico. "Outro dado importante: entre as mulheres rastreadas, as complicações por causa da cirurgia foram de 8 em 100 mil, um número muito baixo".

A principal expectativa é o impacto na detecção do câncer na fase inicial. "A porcentagem maior em estadiamento I e II impacta diretamente na redução da mortalidade. Buscar o diagnóstico mais precoce é fundamental para aumentar as chances de sobrevida da paciente", finaliza Dr. Glauco.



Com informações do Dr. Glauco Baiocchi Neto - Diretor do Núcleo de Ginecologia Oncológica – Hospital A. C. Camargo 

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