domingo, 19 de junho de 2016

Pesquisadores identificam novos tratamentos para câncer cerebral

O glioblastoma multiforme é um tipo de câncer cerebral comum, agressivo e incurável. As terapias disponíveis, como cirurgia, radiação e quimioterapia, prolongam minimamente a sobrevivência dos pacientes, que, na maioria dos casos, sucumbe no primeiro ano após a descoberta da doença. Pesquisadores do Programa de Biologia e Genética do Câncer, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, nos Estados Unidos, descobriram que não são características do tumor em si que influenciam na resposta limitada dele ao tratamento, mas o microambiente em que o câncer está inserido. Os achados aparecem na revista Science e levantam nova possibilidade de intervenção contra a enfermidade.

“O microambiente do tumor está emergindo como uma estratégia terapêutica promissora”, considera Johanna Joyce, pesquisadora sênior do estudo. Para se ter uma ideia, cerca de 30% da massa tumoral é composta por macrófagos, células envolvidas na imunidade e responsáveis por “devorar” elementos estranhos e potencialmente nocivos ao organismo. “No entanto, em muitos cânceres, incluindo o glioma, a concentração dessas células é associada ao mau prognóstico do paciente. Como tal, sua presença representa uma abordagem terapêutica atraente”, completa a pesquisadora.

As impressões de Joyce foram corroboradas em um estudo com ratos, no qual ela e a equipe constataram que inibidores de elementos do microambiente do carcinoma são opções de tratamento mais promissoras do que aquelas focadas diretamente no tumor. Em uma primeira etapa dos experimentos, os pesquisadores notaram que a droga chamada BLZ945 inibe o fator estimulante de colônias (CSF-1), substância expressa pelos macrófagos. Em ratos, durante algumas semanas, o medicamento mostrou-se eficiente em regredir o tumor. No entanto, a medida que passou o tempo, a doença se tornou resistente.

O foco, então, foi direcionado para as atividades da enzima PI3-K, que é acionada por outra substância secretada pelos macrófagos, o fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1). Ratos tratados com inibidores de PI3-K e IGF-1, além de BLZ945, apresentaram aumento relevante na sobrevida: em vez de 13 dias, resistiram ao câncer por 60 dias; ou seja, o tempo de vida mais que quadruplicou. “Nossos resultados sublinham a importância do feedback bidirecional entre células cancerosas e seu microambiente, e também apoiam a noção de que a persistência de um tumor pode ocorrer pela exploração do ambiente extracelular. Assim, propomos que um sistema integrado que envolva a análise de células cancerosas com seu microambiente é fundamental para a compreensão da evolução e da progressão tumoral”, ressalta Joyce.

Olavo Feher, oncologista do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, considera importante o potencial terapêutico descoberto: interferir em células benignas e indiretamente relacionadas ao tumor incurável, avalia o médico, é realmente uma boa novidade. No entanto, os impactos clínicos são distantes. “O estudo foi induzido em animais e retrata uma situação controlada. Não é um espelho da situação clínica que a gente vê. Mas, mesmo assim, é extremamente importante por procurar conceitos de como um tumor desenvolve e se relaciona com as células que estão próximas a ele, além de apontar com quais maneiras poderíamos interferir na biologia e na história do tumor”, diz.

Com informações de  Isabela de Oliveira – Correio Braziliense 

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