terça-feira, 19 de julho de 2016

Antipsicóticos de segunda geração oferecem melhor qualidade de vida

Os antipsicóticos de segunda geração (ASG) são melhores do que os antipsicóticos de primeira geração (APG) para beneficiar a qualidade de vida dos pacientes com esquizofrenia, sugere um novo estudo.

"Nosso estudo acrescenta evidências ao debate sobre se os antipsicóticos produzidos nas últimas duas décadas trazem alguma vantagem sobre os compostos desenvolvidos na primeira década da era dos antipsicóticos", observam os autores, encabeçados pelo Dr. Gerhard Gründer, médico do Departamento de Psiquiatria, Psicoterapia e Psicossomática da  RWTH, Aachen University, Alemanha. "Os novos compostos podem realmente oferecer alguns benefícios em termos de bem-estar subjetivo para um número importante de pacientes".

Este estudo foi publicado online em 2 de junho no periódico Lancet Psychiatry

O Neuroleptic Strategy Study (NeSSy) foi realizado em 14 hospitais psiquiátricos universitários e públicos na Alemanha. O estudo contou com a participação de pacientes em idade adulta com indicação de início ou modificação do tratamento por intolerância ou resposta inadequada ao tratamento anterior.

Os pesquisadores designaram aleatoriamente os pacientes a receber tratamento com um antipsicótico de primeira geração ou um de segunda geração. Para o estudo, os pesquisadores escolheram dois antipsicóticos de primeira geração - flupentixol (várias marcas) e haloperidol (Haldol, Janssen Pharmaceuticals, Inc.) -, e três de segunda geração: aripiprazol (Abilify, Otsuka Pharmaceutical Co., Ltd.), olanzapina (Zyprexa, Eli Lilly and Company) e quetiapina (Seroquel, AstraZeneca Pharmaceuticals LP). "Estes cinco medicamentos foram selecionados porque oferecem máxima heterogeneidade farmacológica dentro de sua classe", observam os autores.

A randomização foi concluída em duas etapas. Primeiro, os pesquisadores escolheram seis pares de antipsicóticos de primeira geração e de segunda geração e apresentaram dois pares aleatoriamente para o médico, que decidiu qual dos pares seria mais apropriado para determinado paciente. Em uma segunda etapa do duplo-cego, os pacientes foram alocados para receber o antipsicótico de primeira geração ou o de segunda geração do par escolhido.

Este desenho de estudo inovador permitiu algumas adaptações terapêuticas para cada paciente, preservando a randomização e o cegamento.
Todos os medicamentos foram administrados uma vez ao dia, de forma duplo-cego, com dupla simulação. Os médicos podiam escolher as doses de acordo com as necessidades clínicas dos pacientes. O uso de medicamentos não-psicotrópicos foi autorizado ao longo do estudo para tratar outras patologias clínicas.

Todos os tratamentos continuaram durante 24 semanas, ou até a ocorrência de falha de resposta terapêutica ou eventos adversos importantes ou intoleráveis. Os pacientes foram acompanhados durante 24 semanas após a suspensão do tratamento.

O desfecho primário foi a modificação da pontuação total da classificação da qualidade de vida, avaliada como somatório do resumo dos componentes físicos e mentais por autoclassificação Short Form 36 Health Survey (FS-36) e da escala Clinical Global Impression-Improvement (CGI-I).

Os desfechos secundários foram a modificação da pontuação total da escala Subjective Well-Being Under Neuroleptic Treatment Scale (SWN-K), do resumo da pontuação total no Personal and Social Performance Scale e da pontuação parcial e total da escala Positive and Negative Syndrome Scale (PANSS).

A segurança foi avaliada por relatos de eventos adversos, valores laboratoriais, sinais vitais (incluindo o peso corporal) e eletrocardiogramas.

Com informações de Pauline Anderson – Medscape 

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