terça-feira, 19 de julho de 2016

Teste poderá distinguir entre infecções bacterianas e virais

Investigadores americanos fizeram grandes avanços no desenvolvimento de um teste capaz de distinguir uma infecção bacteriana de uma viral, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.

Os antibióticos já salvaram milhões de vidas, mas a sua utilização excessiva pode criar um flagelo global de bactérias patogênicas resistentes a antibióticos. Adicionalmente, a toma de antibióticos também aumenta o risco de efeitos secundários, como ruptura dos tendões, danos nos rins, intestinos e microrganismos que são essenciais para a saúde no geral. 

Desta forma, os especialistas em saúde pública recordam que a prescrição de antibióticos deve ser apenas realizada para infecções bacterianas. Contudo, não há uma forma fácil de distinguir entre uma infecção bacteriana ou viral.

“Muitas vezes é difícil dizer que tipo de infecção alguém tem”, referiu, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Timothy Sweeney.

A ideia de desenvolver o teste surgiu de um trabalho anterior, onde os investigadores da Universidade de Stanford, nos EUA, descobriram que a resposta imunológica a múltiplos vírus era distinta das infecções bacterianas. Contudo, para ter um teste clinicamente útil era necessário obter uma assinatura genética que incluísse poucos genes.

Para este estudo, os investigadores utilizaram dados da expressão genética de pacientes para identificar sete genes humanos, cuja atividade altera durante a infecção, para que o padrão de atividade possa distinguir uma infecção bacteriana de uma viral. 

As infecções provocam reações em cadeia que envolvem o sistema imunitário e alterações da atividade ou expressão de centenas de genes. A expressão genética é o processo através do qual as células extraem informação dos genes e a reproduzem em forma de proteínas ou moléculas de RNA. As células têm a capacidade de expressar mais ou menos de cada molécula, criando um padrão de expressão genética que é alterado em resposta a influências externas, como é o caso das infecções. 

De acordo com os investigadores, o teste baseado em sete genes representa uma grande melhoria comparativamente com os anteriores, que analisam a atividade de centenas de genes. Como o novo teste envolve poucos genes, irá ser mais barato, mais rápido e vai manter a eficácia.

Contudo, antes de o teste estar comercialmente disponível, dentro de poucos anos, ainda será necessário ultrapassar alguns obstáculos, incluindo testá-lo num maior grupo de pacientes e ser incorporado num dispositivo que consiga dar o resultado numa hora ou menos. O teste sanguíneo preliminar demora entre quatro a seis horas a dar os resultados, o que é demasiado tempo para os doentes mais graves. 

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