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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Bactéria domada para fazer medicamento

Brasileiros criam primeiro ingrediente farmacêutico a partir de micro-organismo da biodiversidade local

O laboratório Cristália obteve o primeiro registro de um material biológico para fins terapêuticos produzido por um ser vivo legitimamente tupiniquim – no caso, uma bactéria capaz de sintetizar colagenase, substância usada em pomadas para feridas e úlceras na pele. 

O feito é resultado de décadas de investimento e pesquisa. A colagenase é fabricada pela farmacêutica desde 1979, só que a matéria-prima era importada. Após esmiuçar o microrganismo de base e procurar similares em solo brasileiro, os cientistas encontraram o candidato. 

“Daí, em laboratório, nós domamos a bactéria”, conta Ogari Pacheco, fundador e presidente do conselho do Cristália. “Encontramos as condições para fazer um produto genuinamente nacional”, diz o diretor de biotecnologia Marcos Alegria.

E não parou aí: eles descobriram um jeito de fabricar colagenase em um meio de cultivo livre de componentes animais. “Nós enganamos a bactéria e a induzimos a produzir a partir de extratos vegetais, o que garante mais pureza e qualidade ao insumo”, explica Alegria. Com isso, o Cristália já estuda expandir os usos e as formas de aplicação.

Um microrganismo domesticado

Como o laboratório Cristália chegou a um produto 100% nacional e animal-free

1. A colagenase é uma enzima produzida pelo Clostridium histolyticum que serve de base a uma pomada para lesões na pele. Para fabricá-la, a empresa recorria havia anos a uma bactéria de linhagem alemã.

2. Depois de estudar o microrganismo, os cientistas mapearam o solo da região Sudeste em busca de uma bactéria candidata a assumir o papel. Eles a acharam em Espírito Santo do Pinhal (SP).

3. Em laboratório, os pesquisadores encontraram as condições ideais (temperatura, nutrientes…) para a bactéria brasileira produzir colagenase e se multiplicar a contento.

4. O meio de cultivo do microrganismo dependia de ingredientes de origem animal. Para garantir mais pureza e segurança ao produto final, o laboratório descobriu uma forma de criar as bactérias com extratos vegetais.

Por Diogo Sponchiato - Saúde Abril

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