terça-feira, 1 de novembro de 2016

Esquizofrenia, doença bipolar e depressão: o que têm em comum?

Investigadores americanos descobriram grupos de genes que estão afetados nos indivíduos com esquizofrenia, doença bipolar e depressão major. O estudo publicado na revista “Translational Psychiatry” demonstrou que este conjunto de genes afetados está envolvido na produção de proteínas, no controle da comunicação entre as células cerebrais e na ativação de uma resposta imunológica.

Para o estudo, os investigadores da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, analisaram 100 amostras cerebrais do hipocampo, uma área do cérebro envolvida na memória e navegação espacial. Trinta e cinco dos cérebros eram provenientes de pacientes com esquizofrenia, 33 de pacientes com transtorno bipolar e 32 de indivíduos sem qualquer doença mental.

Foram também utilizadas 57 amostras do córtex orbitofrontal, 13 das quais provenientes de pacientes com esquizofrenia, 14 de pacientes com transtorno bipolar, 15 de pacientes com depressão major e 15 de indivíduos sem qualquer doença mental. No total, 57 das amostras eram de mulheres e 100 de homens, com idades compreendidas entre os 19 e os 68 anos.

Através da utilização de métodos de sequenciação de RNA, os investigadores constataram que, de um total de 1.070 conjuntos genes, 13 destes grupos estavam alterados de uma forma semelhante nas três doenças mentais. Destes, nove grupos continham um total de 338 genes, incluindo genes ribossomais, ou seja, genes responsáveis pela produção de proteínas. 

O estudo apurou também que um subconjunto de 80 destes genes estava presente nos nove conjuntos e estavam, comparativamente com os do grupo de controle, mais ativos nos cérebros dos indivíduos que sofriam das doenças mentais. Verificou-se, nomeadamente, que nas amostras dos cérebros dos pacientes com doença bipolar, 78 destes genes estavam mais ativos no hipocampo e 79 estavam mais ativos no córtex orbitofrontal, comparativamente com os do grupo de controle. Resultados semelhantes foram encontrados nas amostras dos cérebros dos indivíduos com esquizofrenia e depressão major.

Os restantes quatro grupos de genes que eram comuns às amostras de tecido provenientes das três doenças mentais estavam inibidos, comparativamente com os controles. Dois destes conjuntos de genes estão envolvidos na forma como os neurônios enviam e recebem mensagens das células vizinhas.

Um outro conjunto de genes, os cientistas acreditam, ajuda na forma como o sistema imunitário monta uma resposta contra antígenos estranhos, ou seja, moléculas apresentadas por vírus, bactérias ou parasitas. Os investigadores referem que a alteração do sistema imunológico é uma característica há muito observada em alguns indivíduos com doenças mentais, particularmente aqueles com esquizofrenia.

O quarto conjunto de genes incluía componentes genéticos envolvidos na endocitose, o processo utilizado para a absorção de moléculas biológicas que se encontram fora das células. Este processo é utilizado pelos neurônios para a reciclagem dos neurotransmissores. A endocitose é também utilizada pelas células do sistema imunológico para a eliminação de microrganismos.  

Miranda Darby, a primeira autora do estudo, conclui que este estudo é importante na medida em que mostra o que há em comum entre três doenças aparentemente díspares. Desta forma, estes resultados podem ajudar a compreender melhor estas doenças e a sugerir estratégias de tratamento semelhantes.

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