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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Ondas de calor e suor na menopausa: desequilíbrio hormonal causa desconforto

Segundo a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), as ondas de calor ou simplesmente sensações de calor que ocorrem na menopausa podem incomodar ao ponto de levar a mulher a tirar o casaco ou agasalho, mesmo no frio. Calores e suores podem ocorrer a qualquer hora do dia, na fase da perimenopausa, quando começam as irregularidades menstruais.

À medida que se aproxima o fim das menstruações, as ondas de calor são mais frequentes à noite, perturbando a qualidade do sono. A sensação de calor geralmente acorda a mulher, que além de sentir o desconforto às vezes chega a ficar com a roupa de dormir e os lençóis molhados de suor. Daí a denominação de suores noturnos. Os médicos classificam ambos como sintomas vasomotores. A sensação física de aquecimento moderado ou intenso é resultado da dilatação repentina dos vasos sanguíneos. O calor perdido em alguns minutos pelo corpo, nessa onda dilatadora, pode produzir frio ou suor intenso, em seguida.

A frequência de ocorrência das ondas de calor varia de uma ou duas ocorrências por semana até duas por hora. A duração média de cada episódio, segundo inúmeros estudos, é de quatro minutos. A máxima é de dez minutos. A aceleração dos batimentos cardíacos, ou palpitações costumam acompanhar os sintomas. Algumas mulheres chegam a sentir enjoo, dor de cabeça e tontura depois que eles passam. As sensações de fadiga, irritabilidade e ansiedade são consequências mais comuns da experiência das ondas de calor, no cotidiano.

Não se sabe ao certo, até hoje, qual a origem dos sintomas, a não ser que têm a ver com o desequilíbrio na produção dos hormônios femininos e os ciclos anovulatórios (sem ovulação) que encerram o período reprodutivo feminino.

Quando não há ovulação os níveis de estrogênios ficam elevados e a produção de progesterona cai por completo. A alteração no equilíbrio desses dois hormônios antes e depois da última menstruação afetaria o funcionamento do hipotálamo, o centro que regula a temperatura corporal. Daí o uso da reposição hormonal para acabar com os sintomas vasomotores.

Existe uma variedade de medicamentos à base de fito-hormônios, extraídos de plantas com propriedades hormonais como a soja, o yam mexicano e o trevo vermelho, mas eles funcionam quando os sintomas não são muito intensos. Os fito-hormônios são menos potentes do que os hormônios sintéticos da terapia hormonal.

A intensidade e frequência das ondas estão associadas a fatores que podem ser, até certo ponto, controlados, por exemplo, com dieta, estilo de vida e controle do estresse emocional. Comer muita fibra e produtos derivados da soja e evitar o consumo de álcool, de alimentos condimentados ou à base de cafeína ajuda a conter a manifestação dos sintomas. Fazer atividade física aeróbica diariamente é fundamental para conviver melhor com eles. Evitar situações de estresse emocional frequente, por excitação, medo ou ansiedade, é providencial para reduzir a frequência dos calores.

Pesquisas recentes

Estudos recentes dão conta de que o desequilíbrio hormonal da menopausa afetaria a produção de endorfinas, substâncias químicas que controlam o humor e a sensação de prazer. E as emoções descontroladas são outro fator de risco para a experiência aumentada dos calores. O uso de substâncias antidepressivas tem se mostrado eficaz, em muitos casos, para neutralizar esse circuito de estímulos cerebrais negativos e atenuar os calores.

Novas descobertas mostram que as mulheres se encaixam em quatro grupos distintos, quando se trata de ondas de calor e suores noturnos, com potenciais implicações para a terapia e prevenção de problemas de saúde futuros, de acordo com a pesquisa liderada pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

A investigação epidemiológica seguiu centenas de mulheres durante uma média de 15 anos e identificou características que as tornaram predispostas às ondas de calor. Os resultados foram publicados na última edição da revista científica “Menopause”, editada pela Sociedade Americana de Menopausa.

"A maioria das mulheres têm sintomas vasomotores, e estamos acostumados a pensar que estes sintomas duram de três a cinco anos, bem na época do período menstrual final", disse a líder do trabalho, Dra. Rebecca Thurston,  professora do departamento de Psiquiatria da Universidade de Pittsburgh. "Nós sabemos agora que estes sintomas persistem por muito mais tempo-normalmente 7 a 10 anos, e ocorrem em momentos diferentes para diferentes mulheres. Esta é uma forte evidência de que precisamos pesquisar mais profundamente as causas fisiológicas subjacentes de sintomas vasomotores e a sua relação com as condições de saúde potencialmente evitáveis ​​".

Os pesquisadores descobriram que as mulheres poderiam ser divididas em quatro grupos distintos para os sintomas vasomotores e que certas características foram mais comuns em algumas categorias:

A menor chance de apresentar os sintomas durante a transição da menopausa foi mais comum em mulheres chinesas.

A maior chance de apresentar os sintomas durante a menopausa foi mais comum em mulheres negras, naquelas que relataram beber álcool de modo moderado ou intenso, e naquelas que relataram sintomas de depressão ou ansiedade.

Um início precoce dos sintomas na década anterior à menopausa foi mais comum entre as mulheres que eram obesas, tinham sintomas de depressão ou ansiedade, estavam com a saúde debilitada e com idade mais avançada na menopausa.

Um início tardio dos sintomas após o período final da menopausa e que diminuiu gradualmente na década seguinte foi mais comum em mulheres com índice de massa corporal inferior (relação entre peso e altura), aquelas que fumam e mulheres negras.

Leia a reportagem da Universidade de Pittsburgh (em inglês).

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Em outro estudo, recente, a Dra. Rebecca Thurston encontrou evidências de que alguns desses grupos poderiam estar associados a fatores de risco para doença cardiovascular. "Neste momento, não podemos compreender completamente qualquer relação causal entre os sintomas vasomotores e os resultados na saúde ou sugerir medidas preventivas para os sintomas vasomotores, sem um estudo mais aprofundado", disse a especialista. "Mas as mulheres e seus médicos podem usar essas descobertas para ajudá-los a ter uma ideia melhor sobre a experiência de como elas passam pela menopausa e assim planejar as melhores maneiras de gerenciar seus sintomas."

Longevidade

Também publicado na revista “Menopause”, estudo de pesquisadores da Escola de Medicina da Unviersidade da California em San Diego, Estados Unidos, seguiu cerca de 16 mil mulheres na pós-menopausa durante 21 anos, para avaliar a relação entre idade fértil e longevidade. "Nossa equipe descobriu que as mulheres que iniciaram a menstruação numa idade mais avançada foram menos propensas a ter determinados problemas de saúde, como doença cardíaca coronária, e aquelas que experimentaram a menopausa mais tarde na vida estiveram mais propensas a ter excelente saúde geral", disse o professor Alladin Shadyab, um dos coordenadores do estudo. “Nosso estudo descobriu que mulheres que começaram a menstruação aos 12 anos ou mais de idade e a menopausa com 50 anos ou mais de idade e que tinham mais de 40 anos de idade fértil tinham mais chances de viver até os 90 anos de idade”, concluiu o pesquisador.

Leia a reportagem da Universidade da Califórnia em San Diego (em inglês).

Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).

Fonte: Sogesp, Universidade da Califórnia em San Diego e Universidade de Pittsburgh.

Com informações de Tech4Health

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