quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Desenvolvida cápsula que libera continuamente dose diária de um fármaco

Os pacientes com hemofilia poderão em breve ser tratados através da simples toma de uma cápsula. Um estudo publicado no “International Journal of Pharmaceutics” apresenta um sistema biodegradável que poderá constituir uma opção de tratamento menos dispendiosa e menos dolorosa que as injeções convencionais ou infusões.

Neste estudo, os investigadores da Universidade do Texas, nos EUA, desenvolveram um sistema composto por micro e nanopartículas para transportar uma proteína que trata a hemofilia B.

Atualmente, existem aproximadamente 400 mil pessoas em todo o mundo com hemofilia A ou hemofilia B, que são causadas pela ausência ou acentuada carência de um dos fatores da coagulação. A hemofilia B é causada por uma deficiência ou defeito no fator IX, uma proteína coagulante.

Apesar de esta doença sanguínea e hereditária afetar indivíduos no mundo inteiro, o acesso global à terapia é limitado pelo custo, pela necessidade de profissionais de saúde treinados e possíveis complicações associadas à administração intravenosa de fármacos. Na verdade, são administradas a milhares de pessoas semanalmente injeções múltiplas para evitar hemorragias excessivas e dores nas articulações.

Sarena Horava, a líder do estudo, referiu que a terapia oral irá beneficiar todos os pacientes com hemofilia B, principalmente aqueles que vivem nos países em desenvolvimento. Em muitos destes países, a esperança média de vida para os pacientes com hemofilia é de 11 anos, devido à falta de acesso ao tratamento.

Este estudo baseou-se num sistema para a administração oral do fator IX humano (hFIX, sigla em inglês) já patenteado, o qual se mostrou bem-sucedido no transporte e no fornecimento de níveis adequados do fármaco para o local-alvo. 

O maior desafio da administração do hFIX é que este é extremamente delicado e instável nos vários ambientes do pH do corpo. O novo sistema foi concebido tendo em conta os diferentes pH e as alterações enzimáticas presentes no trato gastrointestinal.

À medida que se desloca no organismo, a cápsula que contém as partículas resiste à principal enzima gástrica e permanece intacta no estômago, protegendo o fármaco encapsulado. No intestino delgado, a cápsula começa a aumentar de tamanho com o aumento do pH e é degradada pela principal enzima intestinal, liberando lentamente o fármaco ao longo do tempo.

A investigadora referiu que, com base nas capacidades atuais deste sistema, a toma de duas cápsulas será o equivalente a uma injeção.

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