quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Erros de cálculo dos pais na dose dos medicamentos líquidos

Os quão precisos são os pais ao medirem as doses dos medicamentos líquidos?

Pais costumam ter dificuldades para calcular a dose dos medicamentos líquidos, e existe uma variação considerável na precisão com a qual eles medem uma "colher de chá" ou algum outro volume de medicamento prescrito. Os pais geralmente se saem melhor ao lidar com recipientes contendo marcações do que com recipientes sem marcas, e com seringas em vez de copos dosadores ou outros instrumentos de medidas, como colheres de sopa ou colheres de chá.

Um estudo recente expandiu os esforços para além dos trabalhos anteriores dos mesmos pesquisadores testando pais de várias localidades do país, incluindo a Costa Leste, a Costa Oeste e o sul dos Estados Unidos. Os pesquisadores avaliaram a precisão com a qual mães e pais conseguiam dosar os medicamentos líquidos utilizando instrumentos de medidas (seringas ou copos) marcados em mililitros, colheres de chá ou ambos. O potencial efeito da divergência entre as medidas métricas e não métricas (por exemplo, uma garrafa com rótulo em mililitros embalada com um dispositivo de medida tanto em mililitros quanto em colheres de chá).

O estudo foi realizado com pais ou cuidadores de crianças com ≤ 8 anos de idade que se apresentaram para uma avaliação ambulatorial. As crianças foram aleatoriamente designadas para um de cinco grupos; os grupos diferiram de acordo com as recomendações posológicas do frasco do medicamento líquido e o dispositivo utilizado para medir a dose prescrita (Quadro 1).


Os cuidadores foram convidados a realizar nove tarefas - medir três volumes diferentes (2,5 mL, 5 mL e 7,5 mL) utilizando cada um dos três dispositivos de medida. Estes dispositivos foram: duas seringas com marcações diferentes (aumentos de 0,2 mL vs. 0,5 mL) e uma xícara de medição convencional de 30 mL. Os pais foram convidados a medir o volume recomendado no rótulo do frasco (volumes convencionais de 2,5, 5,0 ou 7,5 mL, mas registrados em mililitros ou colheres de chá) usando cada dispositivo.

Erros de cálculo da dose cometidos pelos pais

O "erro" foi definido como variação acima de 20% do volume medido em relação ao volume recomendado. Mais de 2.000 pais completaram o estudo, 84,4% dos quais cometeram pelo menos um erro de medição. Em média, os pais cometeram um erro em 25% das tentativas de medição. A maior parte dos erros (68%) foi de doses excessivas, e 21% dos pais mediram mais do que o dobro da dose recomendada, pelo menos uma vez.

Não foram detectadas diferenças nos índices de erro pelo tipo de seringa usada (com marcações de 0,2 mL vs. de 0,5 mL). Os copos dosadores tiveram maior probabilidade de estarem associados a erros, com odds ratio ajustado de 4,6 (intervalo de confiança de 95% de 4,2 a 5,1). Os pais que só receberam os rótulos com indicações de colheres de chá (grupo 5) tiveram mais probabilidade realizar medições incorretas. No geral, os pais de todos os grupos se saíram melhor com as doses de 5,0 mL do que com as doses de 2,5 ou 7,5 mL.

Esses resultados mostram que a prescrição das doses em mililitros, os rótulos dos medicamentos em mililitros e a utilização de seringas marcadas em mililitros resultam todos em maior precisão de medida, embora muitos pais ainda assim cometam erros de dosagem.

Ponto de vista

Este pesquisador responsável e seus colaboradores têm feito um excelente trabalho nesta área nos últimos anos. Seus resultados, de que as marcações métricas são melhores e menos sujeitas a erros, são sistemáticos. Vale a pena rever as recomendações mais recentes a este respeito da American Academy of Pediatrics.

É possível realizar uma mudança bem-sucedida para a marcação exclusivamente métrica, mas os médicos são apenas uma parte do processo. Os fornecedores de prontuários eletrônicos, as farmácias e todas as entidades de saúde devem mostrar um discurso coerente para as famílias.

É mais difícil saber o que fazer com a informação de que muitos pais cometem erros, mesmo no ambiente controlado de um estudo. Mas isso  certamente é preocupante, e sugere que nunca passaremos tempo demais orientando os pais sobre recomendações posológicas e sobre como medir corretamente as doses dos medicamentos líquidos.

Com informações de Dr. William T. Basco Jr., MS - Medscape

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