segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Expectativa de vida das pessoas com HIV se aproxima da de seus pares não infectados

Com o tratamento ideal, a expectativa de vida das pessoas com HIV pode se aproximar daquela de pessoas não infectadas, informam os autores de uma nova análise.

"Para as muitas pessoas com infecção pelo HIV que têm acesso ao tratamento, os principais obstáculos para uma vida longa e saudável são os fatores de estilo de vida que não estão diretamente relacionados a esta infecção", escrevem os Drs. Nicolai Lohse e Niels Obel, em carta publicada na edição de 15 de novembro do periódico Annals of Internal Medicine.

Os resultados vêm da atualização de uma análise que os autores realizaram em 2007, mostrando que pessoas com 25 anos de idade infectadas pelo HIV e sem coinfecção pelo vírus da hepatite C (HCV) tiveram uma idade mediana de sobrevida de 63,9 anos. Embora esses dados fossem "encorajadores", a expectativa de vida ainda era 12,2 anos menor do que a de uma amostra da população geral pareada por idade e sexo.

Na nova análise, os autores, ambos da Copenhagen University, na Dinamarca, estimaram as mudanças da sobrevida mediana ao longo de cinco períodos: 1995 a 1996, 1997 a 1999, 2000 a 2004, 2005 a 2009 e 2010 a 2015. O estudo incluiu todas as pessoas infectadas pelo HIV na Dinamarca, excluindo os 9,7% dos pacientes que também têm infecção pelo HCV. Cada paciente foi pareado por idade e sexo com cinco participantes-controle da população geral.

A análise foi realizada com 5.701 pessoas com HIV e 28.505 controles, para um total de 60.270 pessoa-anos de observação para os pacientes e 365.713 pessoa-anos para os participantes do grupo controle. "O estudo teve 77% de homens com mediana de idade ao ingressar no estudo de 37,1 anos (intervalo interquartil de 30,5 a 45,5 anos)", escrevem os autores.

No período de 1995 a 1996, a mediana da idade estimada no momento da morte para um participante de 25 anos infectado com HIV foi de 34,5 anos (intervalo de confiança, IC, de 95%, 32,3 - 35,9). De 1997 a 1999 subiu para 52,2 anos (IC de 95%, 49,0 - 57,5); de 2000 a 2004 subiu para 62,8 anos (IC de 95%, 60,4 - 64,9); de 2005 a 2009, subiu para 66,8 anos (IC de 95%, 65,7 - 68,5); e de 2010 a 2015 subiu para 73,9 anos (IC de 95%, 72,2 - 76,7). Os autores compararam estas estimativas com a mediana da expectativa de vida de 80,0 anos (IC de 95%, 79,4 - 80,8) entre a população geral.

Pessoas em muitas partes do mundo ainda não conseguem obter as vantagens oferecidas pelas terapias mais atualizadas, concluem os autores. Abordar estas barreiras ao tratamento é importante "porque este trabalho, e outros como ele, documenta os benefícios que podemos esperar com um forte foco no diagnóstico oportuno, em soluções integradas e nas novas terapias".

Dr. Obel informou financiamento de pesquisa incondicional de Gilead, GlaxoSmithKline, Jansen, Bristol Myers Squibb e Boehringer Ingelheim pagos à sua instituição. O Dr. Lohse informou não possuir conflitos de interesses relevantes ao tema.

Ann Intern Med. 2016;165:749-750. Resumo

Com informações de Norra MacReady - Medscape

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