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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Gravidez altera estrutura cerebral

Investigadores espanhóis descobriram de que modo a gravidez produz alterações duradouras na estrutura cerebral, as quais poderão melhorar a capacidade da mãe proteger e interagir com a criança, revela um estudo publicado na revista “Nature Neuroscience”.

A gravidez envolve a produção de surtos hormonais radicais e adaptações biológicas, mas os efeitos no cérebro ainda são desconhecidos. No estudo, os investigadores da Universidade Autônoma de Barcelona e do IMM, em Espanha, compararam a estrutura cerebral de 25 mulheres que tinham sido mães pela primeira vez, antes e após a primeira gravidez. O grupo de controle contou com a participação de 20 mulheres que nunca tinham estado grávidas.

Através da realização de ressonâncias magnéticas, os investigadores, liderados por Oscar Vilarroya, demonstraram que os cérebros das mulheres que tinham ficado grávidas pela primeira vez apresentavam reduções significativas na substância cinzenta em regiões do cérebro associadas à cognição social. Foi verificado mais especificamente que ocorreu uma redução simétrica do volume de substância cinzenta no córtex medial frontal e córtex posterior, assim como em regiões específicas do córtex pré-frontal e temporal. Estas áreas correspondem a uma rede associada a processos envolvidos na cognição social e no processamento auto-focalizado. 

Os cientistas acreditam que estas alterações correspondem a um processo adaptativo de especialização funcional para a maternidade. Elseline Hoekzema, uma das coautoras do estudo, referiu que estas alterações podem, em parte, refletir um mecanismo de poda sináptica, que também ocorre na adolescência, onde as sinapses fracas são eliminadas dando lugar a redes neuronais mais eficazes e especializadas. Estas alterações estão associadas a áreas cerebrais envolvidas em funções necessárias para lidar com os desafios da maternidade.

O estudo apurou que de fato as áreas com redução de substância cinzenta se sobrepunham a regiões cerebrais ativadas durante uma sessão de neuroimagiologia funcional onde as mães visualizaram imagens dos filhos.

Os investigadores conseguiram ainda apurar, com grande fiabilidade, se algumas das participantes estava grávida através da análise da estrutura do cérebro. Foi até mesmo possível prever a ligação da mãe com o bebê no período pós-parto com base nas alterações cerebrais.

Uma vez que não foram observadas alterações na memória ou noutras funções cognitivas durante as gestações, os investigadores acreditam que a perda de matéria cinzenta não implica qualquer déficit cognitivo.

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