domingo, 11 de dezembro de 2016

Vacina da Dengue pode chegar em 2017

A primeira vacina brasileira da dengue pode chegar aos postos de saúde do país até o fim do ano que vem, caso a eficácia da dose contra os quatro sorotipos virais da doença seja comprovada. Essa é a expectativa do Instituto Butantan, centro de pesquisa ligado à Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, que lançou oficialmente os testes clínicos da imunização em moradores de Belo Horizonte.

Em torno de 1.200 pessoas, com idades entre 2 e 59 anos, devem receber a dose na capital até agosto de 2017 – os adultos serão vacinados primeiro, seguidos dos adolescentes e, por fim, das crianças. “É um estudo duplo-cego, quem vacina não sabe, quem recebe também não sabe. É aleatório, dois terços do grupo recebem a vacina, e um terço recebe placebo, ou seja, não recebe nada, só para a gente observar”, detalhou o diretor do instituto, Jorge Kalil. No Brasil, 17 mil pessoas de 13 cidades farão os testes.

Esta é a terceira e última etapa de avaliações antes de a vacina ser submetida à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A primeira fase, realizada com 900 pessoas nos Estados Unidos, verificou a segurança da dose, enquanto a segunda etapa avaliou, em 300 pessoas de São Paulo, a imunogenicidade da vacina, isto é, a reação que ela causa no sistema imunológico. Os resultados mostraram que a imunização induz o organismo a produzir anticorpos contra os vírus da dengue.

Os participantes desta última etapa serão acompanhados por cinco anos por uma equipe da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, para verificar a eficácia da vacina e se ela realmente é capaz de evitar a dengue. Já no próximo verão, que começa neste mês, quando os casos da doença tendem a aumentar, a proteção da vacina será testada.

“O tempo total dessa fase é de cinco anos, mas podemos ter a resposta se a vacina funciona em menos tempo. Se ela se mostrar eficaz daqui a seis meses ou um ano, pode ser registrada e, depois, fabricada e vendida para o Ministério da Saúde, que vai distribuir gratuitamente para a população. Então, de maneira muito otimista, no ano que vem já estaria disponível”, declarou Kalil. Segundo ele, as doses serão produzidas em uma fábrica do instituto, que deve ter condições de começar os trabalhos a partir de setembro de 2017.

O secretário municipal de saúde de Belo Horizonte, Fabiano Pimenta, pontuou que os cuidados contra o Aedes aegypti devem ser mantidos, visto que o mosquito transmite também o zika e a febre chikungunya.

Testes: Os interessados em se vacinar podem ir ao Centro de Saúde Jardim Montanhês ou ligar para (31) 2520-4008. Eles devem morar no bairro, ter entre 2 e 59 anos e boas condições de saúde.

Pesquisa: O Ministério da Saúde informou que tem priorizado o estudo de tecnologias de combate ao mosquito Aedes aegypti e que já investiu R$ 100 milhões na última fase da pesquisa da vacina.

Diferença: A vacina contra a dengue disponível em laboratórios privados demanda três doses, aplicadas de seis em seis meses. Cada dose custa R$ 290, em média. A eficácia é de 30 dias após última dose e não imuniza contra a zika e a chikungunya.

Expectativa: O secretário municipal de saúde de BH, Fabiano Pimenta, informou que, a partir do primeiro semestre de 2017, a capital pode ser contemplada nos estudos sobre a Wolbachia – bactéria que, quando presente no Aedes aegypti, pode reduzir a transmissão do zika vírus.

Números: Na capital, foram confirmados 154.768 casos de dengue e 57 óbitos pela doença neste ano, até o dia 2 de dezembro.

Qualidade: Segundo o professor do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG Helton Santiago, a vacina testada em BH tem tudo para ter bons resultados. “É um produto muito promissor do ponto de vista imunológico, do ponto de vista de fabricação, é barato de ser feito e é uma dose única, feita com vírus vivo atenuado, que é o melhor tipo de vacina”, disse.

Efeitos

Voluntários terão saúde monitorada por equipe

O tempo de proteção contra os vírus da dengue gerado pela vacina brasileira ainda é uma incógnita. Por esse motivo, as pessoas que participarem dos testes clínicos serão monitoradas pelos próximos cinco anos, mesmo que os resultados quanto à eficácia da vacina sejam alcançados antes do fim desse período.

“A gente imagina que é uma proteção mais de longo prazo, mas o tempo de proteção a gente vai ter que determinar em estudos posteriores”, afirmou o professor do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG, Helton Santiago, que integra a equipe que vai conduzir os testes na capital.

Segundo ele, as pessoas que participarem das avaliações devem retornar regularmente ao Centro de Saúde Jardim Montanhês, na região Noroeste da cidade, onde os testes estão sendo realizados, para o acompanhamento do resultado da dose. Além disso, em caso de febre, o paciente deve comunicar a equipe para que as causas do sintoma sejam avaliadas.

A professora Laura Lorena Lutkenhaus, 32, que já sofreu com os diversos sintomas da dengue em 2012, foi uma das pessoas a receber a vacina. “Decidi participar porque acho que a vacina vai gerar resultados positivos”.

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