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domingo, 11 de dezembro de 2016

Vacina evita a volta da leucemia

Uma vacina pode ajudar na cura da leucemia mieloide aguda (LMA) sem a necessidade do transplante de medula óssea. Pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveram uma fórmula composta por células humanas e que, aplicada em pacientes depois do fim das sessões de quimioterapia, evita as recaídas, problema frequente durante esse tipo de tratamento. 


Os criadores acreditam que a substância protetiva poderá ser útil principalmente para os indivíduos mais velhos, que têm grandes restrições ao transplante. Detalhes do trabalho foram divulgados na revista Science Translational Medicine.

Impulsionar o sistema imune para combater doenças graves é uma estratégia que tem sido bastante explorada na área médica. Com base em resultados positivos dessa prática, os investigadores resolveram testar a mesma técnica contra a LMA, a leucemia mais comum em adultos. “Métodos de imunoterapia alavancam os sistemas de defesa do corpo para combater as células cancerosas. 

Ao criar uma vacina personalizada, usamos o poder do sistema imunológico para, seletivamente, segmentar o câncer de cada paciente e evitar os efeitos colaterais da quimioterapia”, explica, em comunicado, David Avigan, um dos autores e professor de Medicina da Universidade de Harvard.

A vacina foi desenvolvida com células de defesa retiradas de um paciente com leucemia e células dendríticas, que libertam células-T, capazes de eliminar tumores. “O desenvolvimento dessa vacina personalizada se baseou na premissa de que o tratamento eficaz de cânceres estabelecidos exige a indução de imunidade com vários antígenos (substâncias que ativam a resposta imune do corpo), incluindo os neoantígenos, especificamente expressos pelas células de câncer do próprio paciente”, destaca Donald Kufe, também autor e pesquisador do Instituto do Cancro de Dana-Farbe, em Boston.

A fórmula foi testada em 17 pessoas que haviam realizado quimioterapia e se recuperavam do tratamento, período em que as recaídas são bastante comuns. Os participantes mostraram tolerância à fórmula protetiva, que desencadeou a expansão de células-T específicas para o combate à leucemia por mais de seis meses. 

Nenhum deles mostrou recaídas depois de um ano da vacinação e 12 permaneceram sem leucemia após quatro anos e nove meses. “Com a vacina, usamos o sistema imunológico para direcioná-lo ao tumor, incluindo células que podem ser resistentes à quimioterapia. Ficamos realmente excitados em ver que a vacina gerou uma resposta imune larga e durável, sem efeitos secundários significativos”, afirma a autora principal, Jacalyn Rosenblatt, e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard.

Volney Lara Vilela, médico hematologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, unidade de Brasília, avalia que o trabalho norte-americano merece destaque pelos efeitos obtidos. “Essa estratégia de potencializar o sistema imune vem sendo testada com outras doenças, como o mieloma múltiplo. Outros estudos também exploraram o uso de uma vacina para tratar a leucemia, mas sem resultados positivos. Esse é um trabalho pequeno, com poucos participantes, mas que se mostra muito promissor”, diz.

Bom para idosos

Outro ponto da pesquisa que animou os autores do estudo foi o fato de a vacina funcionar bem nos mais vividos, a maioria dos participantes tinha em média 63 anos. A fórmula, portanto, serviria como uma alternativa ao transplante de medula óssea, não indicado a esses pacientes. “O transplante é uma das tentativas de cura para esse problema de saúde, mas, em pessoas mais velhas, envolve um alto risco. 

A vacina seria uma alternativa para esse grupo pela sua fácil aplicabilidade. Ela pega apenas a parte boa do transplante, que é a da reação imunológica, a capacidade de fazer a varredura da doença”, explica Vilela.

O hematologista também acredita na possibilidade de a fórmula funcionar como um tratamento auxiliar para a LMA. “Os pesquisadores citam, no estudo, que essas células leucêmicas podem criar um mecanismo para fugir do sistema imune. Caso isso realmente ocorra, uma opção seria usar a vacina com os medicamentos que já são empregados no tratamento da leucemia, em uma terapia conjunta”, opina.

A equipe liderada por Rosenblatt realizará outros experimentos em pacientes atendidos em 15 centros de pesquisa de câncer. Segundo Vilela, essa etapa que vai ampliar o número de participantes é importante para testar a vacina, uma solução, segundo ele, que parece ser promissora e acessível. “Trata-se de um trabalho que não está tão distante de nós. Essa vacina poderia ser acessível também aqui no Brasil. Não se trata de um trabalho tão complexo e mostrou muito pouco efeito colateral, apenas o equivalente às vacinas usadas normalmente”, justifica.

Primeira etapa

“A leucemia mieloide aguda é tratada com quimioterapia, mas, quando o paciente não responte aos medicamentos, a alternativa para erradicar a doença é o transplante de medula óssea, no qual é necessário um doador que tenha compatibilidade com o paciente, reduzindo, assim, os riscos de rejeição. Trata-se de um procedimento rápido, como uma transfusão de sangue. Antes, porém, o paciente se submete a um tratamento para destruir a própria medula. Só depois disso, terá condições de receber as células da medula sadia de um doador.

Com a vacina, usamos o sistema imunológico para direcioná-lo ao tumor, incluindo células que podem ser resistentes à quimioterapia”

Com informações do Correio Braziliense 

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