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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A busca por fármacos protótipos contra doenças negligenciadas

Diversos trabalhos científicos já mostraram que o conhecimento popular pode auxiliar a caracterização de princípios ativos contra diferentes doenças. Ainda as regiões tropicais do planeta albergam grande diversidade de plantas, animais, povos e culturas, que quando estudados de forma integrada e, sobretudo com ética, pode levar ao descobrimento de moléculas bioativas. 


Neste sentido, estudos coordenados pelo Prof. Dr. Luiz Felipe D. Passero , do Câmpus Litoral Paulista da Unesp, busca em plantas, que são utilizadas popularmente, moléculas que eliminam o protozoário Leishmania. Este protozoário causa um grupo de doenças conhecidas como leishmanioses, que são transmitidas classicamente a humanos, animais domésticos e selvagens por um pequeno vetor, conhecidos como mosquito palha. Além disso, se reconhece que o arsenal terapêutico é muito pequeno, e os fármacos são extremamente tóxicos, justificando a busca por novas estratégias ou compostos terapêuticos.

Em estudos recentes publicado na revista Plos One (Yamamoto et al 2016), um ex-aluno do IB-CLP, Eduardo S. Yamamoto, orientado por Luiz Felipe, demonstrou que o composto conhecido como ácido ursólico, isolado da planta Vassoura – da - Serra (Baccharis uncinella), eliminou diversas espécies de Leishmania, e diminuiu as lesões cutâneas causadas por L. amazonensis, conhecida por gerar a forma grave da doença, conhecida como leishmaniose anérgica difusa, de difícil controle medicamentoso. Vale ressaltar que esta planta é utilizada popularmente contra diversas patologias.

Mais recentemente, o mesmo composto foi avaliado na leishmaniose visceral, outra forma grave da doença, que é mortal se não tratada. Neste estudo, a mestre Jéssica A. Jesus, orientada pelo Prof. Luiz Felipe, demonstrou que animais com leishmaniose visceral e tratados com o ácido ursólico diminuíram as lesões em baço e fígado de uma forma mais eficiente que um dos fármacos utilizados no tratamento médico, e, além disso, este composto modulou beneficamente o sistema imunológico dos animais, tal estudo foi publicado no periódico International Journal for Parasitology: Drugs and Drugs Resistance.

Além de compostos oriundos de plantas, medicamentos já disponíveis para uso clínico podem ser avaliados através da reposição de fármacos, o que leva a economia de tempo e verba, pois o fármaco já está liberado para uso em humanos. Estudos conduzidos pela estudante de Iniciação Científica, Adriana Bezerra-Souza, demonstrou que o fármaco anti-fúngico Cloridrato de Butenafina eliminou espécies de parasitos que causam a leishmaniose anérgica difusa e mucocutânea, formas clínicas graves da doença, tal estudo foi recentemente publicado no jornal Parasitology International.

Vale ressaltar que estes estudos são multidisciplinares e multicêntricos, pois conta com a participação essencial da Profa. Dra. Márcia D. Laurenti da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Prof. Dr. João Lago da Universidade Federal do ABC, Profa. Dra. Eliana Rodrigues da Universidade Federal de São Paulo, e de pesquisadores do exterior, como a Profa. Dra. Gabriela Santos-Gomes do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, Portugal.

Estas pequenas contribuições científicas são muito importantes para reforçar que a diversidade (fauna, flora e cultural) existente no Brasil deve ser pesquisada de forma consciente para ser utilizada a favor da humanidade. Além disso, traz ferramentas adicionais para reforçar políticas de preservação ambiental.

Contato do pesquisador: felipepassero@clp.unesp.br

Com informações de Renata B. Mari - Unesp 

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