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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Câncer pode ser tratado com antidiabético e anti-hipertensor

A combinação de um fármaco para a diabetes com um anti-hipertensor pode combater eficazmente as células cancerígenas, revela um estudo publicado na revista “Science Advances”.

A metformina é o fármaco mais prescrito para o tratamento da diabetes tipo 2. Para além do seu efeito na redução de açúcar no sangue, este também apresenta propriedades anticancerígenas. Contudo, a dose terapêutica é demasiado baixa para combater eficazmente o cancro.

Neste estudo os investigadores da Universidade de Basileia, na Suíça, constataram que o fármaco anti-hipertensor sirosingopina potencia a ação anticancerígena da metformina. Ao que parece, a combinação destes dois fármacos conduz à apoptose ou morte programada das células cancerígenas. 

Em doses elevadas, a metformina inibe o crescimento das células cancerígenas mas também pode induzir efeitos indesejados. Assim, os investigadores, liderados por Michael Hall, testaram mil fármacos na esperança de encontrar um que aumentasse a ação anticancerígena da metformina.  

O estudo apurou que a combinação do anti-hipertensor sirosingopina com a metformina era eficaz contra vários cancros. Verificou-se, por exemplo, que em amostras de pacientes com leucemia a maioria das células tumorais eram eliminadas por este cocktail de fármacos, em doses que não são tóxicas para as células normais. 

Os investigadores, liderados por Michael Hall, verificaram que este efeito era exclusivamente confinado às células cancerígenas. Experiências realizadas em ratinhos com cancro do fígado maligno demonstraram que após a terapia o volume aumentado deste órgão diminui. Adicionalmente verificou-se que o número de nódulos tumorais diminui, tendo em alguns animais desaparecido completamente. 

O estudo apurou que a metformina reduziu não só o nível de glucose no sangue como também bloqueou a cadeia respiratória num organelo celular envolvido na produção de energia, a mitocôndria. O fármaco anti-hipertensor inibiu, nomeadamente, a degradação de açúcares.

Os cientistas verificaram assim, que os fármacos eram capazes de interromper os processos vitais que fornecem energia à célula. Devido ao aumento da atividade metabólica e rápido crescimento, as células cancerígenas têm um consumo energético particularmente elevado, o que as torna extremamente vulneráveis quando o fornecimento de energia é reduzido.

Ao testarem uma vasto conjunto de compostos com o mesmo modo de ação, os cientistas demonstraram que a inibição da cadeia respiratória na mitocôndria é um mecanismo-chave. 
Don Benjamin, o primeiro autor do estudo, concluiu que estes achados apoiam o desenvolvimento de abordagens combinadas para o tratamento de pacientes com cancro.


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