terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Desenvolvida análise da urina que detecta qualidade da dieta

Investigadores do Reino Unido desenvolveram uma análise à urina que informa sobre a qualidade da dieta adotada e o que realmente as pessoas ingerem, dá conta um estudo publicado na revista “The Lancet Diabetes & Endocrinology”.

A análise desenvolvida pelos investigadores do Imperial College London, bem como pelas universidades de Newcastle e de Aberystwyth, no Reino Unido, que fornece os resultados em cerca de cinco minutos, mede os marcadores biológicos na urina produzida pela decomposição dos alimentos.

Apesar de o trabalho ainda se encontrar numa fase inicial, os investigadores esperam que no futuro seja possível acompanhar as dietas dos pacientes. Esta análise poderá ser utilizada nos programas de perda de peso para monitorizar a ingestão de alimentos.

Algumas evidências sugerem que as pessoas registam de forma imprecisa as suas dietas, reportando por excesso a ingestão de frutas e vegetais, e por escassez o consumo de alimentos pouco saudáveis.

Gary Frost, o líder do estudo, refere que uma das limitações dos estudos dietéticos é que não existe uma medida real do que as pessoas comem. Alguns estudos têm sugerido que 60% dos indivíduos não reportam convenientemente a dieta adotada. Na sua opinião este pode ser o primeiro indicador independente da qualidade da dieta ingerida.

Para o estudo os investigadores contaram com a participação de 19 voluntários que seguiram, ao longo de três dias, quatro dietas distintas, desde as muito saudáveis às muito prejudiciais. Foram recolhidas amostras à urina de manhã, à tarde e à noite.

Posteriormente foi analisada a presença de centenas de compostos, denominados por metabolitos, produzidos quando determinados alimentos são decompostos. Estes incluíram compostos que indicavam a quantidade de carne vermelha, frango, peixe, frutas e legumes ingeridos, bem como dava uma noção da quantidade de proteína, gordura, fibra e açúcar consumidos. Foram também analisados compostos que sugerem a presença de alimentos específicos, nomeadamente citrinos e vegetais de folhas verdes.

A partir desta informação os investigadores foram capazes de desenvolver um perfil indicador de uma dieta saudável e equilibrada com uma boa ingestão de frutas e legumes. A ideia é utilizar este perfil de "dieta saudável" e compará-lo ao perfil da dieta de um indivíduo, de forma a perceber se este está a alimentar-se de uma forma saudável.

Os cientistas ensaiaram a precisão do teste em dados de um estudo anterior, que incluiu 225 indivíduos do Reino Unido e 66 da Dinamarca. Todos os voluntários forneceram amostras de urina e informação sobre a dieta adotada. A análise das amostras permitiu que os investigadores fossem capazes de prever com precisão a dieta dos 291 voluntários.

Des Walsh, do Medical Research Council, referiu que medir o que comemos e bebemos de uma forma mais precisa poderá beneficiar a investigação na área da nutrição, ajudar a desenvolver melhores intervenções baseadas na evidência de forma a melhorar a saúde do indivíduo e reduzir a obesidade.

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