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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Desenvolvido robô que ajuda o coração a bater

Investigadores americanos desenvolveram um robô macio personalizável que se ajusta à volta do coração e ajuda-o a bater, abrindo potencialmente novas opções de tratamento para os indivíduos que sofrem de insuficiência cardíaca, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.

A manga robótica macia torce-se e comprime-se em sincronia com os batimentos do coração, reforçando as funções cardiovasculares debilitadas pela insuficiência cardíaca. Contrariamente a outros dispositivos disponíveis atualmente, a manga robótica não contacta diretamente com o sangue, o que reduz o risco de coagulação e elimina a necessidade de tomar anticoagulantes.

A insuficiência cardíaca afeta cerca de 41 milhões de pessoas em todo o mundo. Atualmente, esta condição pode ser tratada com bombas denominadas por dispositivos de assistência ventricular (VAD, sigla em inglês), que bombeiam o sangue dos ventrículos para a aorta ou através de transplantes cardíacos. Apesar de os VAD estarem constantemente a sofrer melhorias, os pacientes continuam a apresentar um elevado risco de formação de coágulos e acidente vascular cerebral.  

De forma a criarem um novo dispositivo que não entrasse em contato com o sangue, os investigadores da Universidade de Harvard e Hospital Pediátrico de Boston, nos EUA, inspiram-se no próprio coração. A manga fina de silicone utiliza atuadores pneumáticos colocados em torno do coração para mimetizar as camadas musculares externas do coração dos mamíferos. Os atuadores giram e comprimem a manga com um movimento semelhante ao batimento do coração. O dispositivo está ligado a uma bomba externa, que utiliza ar para alimentar os atuadores.

Os investigadores, liderados por Conor Walsh, explicam que a manga pode ser personalizada para cada paciente. Se o paciente tiver uma maior debilidade do lado esquerdo do coração, por exemplo, os atuadores podem ser sincronizados para dar mais assistência a esse lado do coração. 

A pressão dos atuadores também pode ser aumentada ou diminuída ao longo do tempo, à medida que a condição do paciente evolui. A manga está ligada ao coração através de um dispositivo de sucção, suturas e uma interface de gel para ajudar com a fricção entre o dispositivo e o coração. Os cirurgiões do Hospital Pediátrico de Boston trabalharam conjuntamente com engenheiros para desenvolver e determinar a melhor forma de implantar e testar o dispositivo em modelos animais.

Ellen Roche, a primeira autora do estudo, concluiu que este estudo é realmente significativo uma vez que existem cada vez mais pessoas a sobreviverem a enfartes agudos do miocárdio e a acabarem com insuficiência cardíaca. Os dispositivos robóticos suaves são ideais para interagir com o tecido macio e dar assistência que pode ajudar a aumentar a função cardíaca e, potencialmente, até conduzir à cura e recuperação.

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