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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Nicotina: como atua nos cérebros dos pacientes com esquizofrenia?

Vários estudos têm demonstrado que os pacientes com esquizofrenia apresentam um nível elevado de dependência à nicotina. No estudo publicado na revista “Nature Medicine”, investigadores franceses utilizaram um modelo animal para elucidar o mecanismo de ação da nicotina nas células do córtex pré-frontal.

No estudo os investigadores do Instituto Pasteur, bem como de outros Institutos de investigação franceses, visualizaram como a nicotina tem um impacto direto na restauração da atividade normal nos neurónios envolvidos em doenças psiquiátricas como a esquizofrenia.

Segundo o Instituto Pasteur, em informação veiculada na sua página da Internet, tem sido observado que os pacientes com esquizofrenia utilizam o tabaco como uma forma de automedicação para aliviar os sintomas causados pelo distúrbio ou para combater os efeitos colaterais graves do tratamento, nomeadamente letargia, falta de motivação, etc. 

O córtex pré-frontal, uma região que está associada à cognição, bem como à tomada de decisão e memória de trabalho é uma das áreas cerebrais afetadas em pacientes com distúrbios psiquiátricos como a esquizofrenia, que são frequentemente indivíduos que fumam bastante. Num estado não patológico, a atividade do córtex pré-frontal é modulada por neurotransmissores (acetilcolina) através dos recetores nicotínicos encontrados na superfície dos neurônios.

A mutação genética CHRNA5, que codifica uma subunidade do recetor nicotínico, foi recentemente identificada como estando associada a deficiências cognitivas em pacientes com esquizofrenia e com dependência de nicotina.

No estudo, os investigadores, liderados por Uwe Maskos, introduziram o gene CHRNA5 humano em ratinhos com o objetivo de reproduzir os déficits cerebrais que caracterizam a esquizofrenia, nomeadamente os déficits comportamentais que ocorrem em situações de interação social e na realização de tarefas senso-motoras.

Através de uma técnica de imagem in vivo e de um novo método de análise computacional, os cientistas observaram que os ratinhos com a mutação no CHRNA5 apresentavam uma atividade reduzida no córtex pré-frontal. Foi possível identificar o tipo específico de célula cuja atividade foi afetada pela mutação genética, os interneurônios, ou seja, pequenos neurônios que estabelecem ligações entre redes neuronais.

Os investigadores também apuraram que quando administraram nicotina esta ligou-se aos receptores nicotínicos nos interneurônios e influenciou atividade das células piramidais no córtex pré-frontal, que voltaram a um estado normal de atividade. A diminuição na atividade medida neste modelo é semelhante à observada em doentes com perturbações psiquiátricas, tais como esquizofrenia e dependência.

Uwe Maskos conclui que, uma vez que a administração repetida da nicotina restaura a atividade normal do córtex pré-frontal, estes achados podem conduzir a um possível alvo terapêutico para o tratamento da esquizofrenia. A molécula terapêutica teria de funcionar da mesma forma que a nicotina, mas sem os seus efeitos nocivos, nomeadamente dependência, envelhecimento celular, aumento da frequência cardíaca, etc.

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