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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Estudo associa morte de crianças na Índia com consumo de lichias

Um estudo encontrou a resposta para um mistério da medicina que durou décadas: uma doença que causa convulsões, coma e até morte em crianças, está relacionada ao consumo de lichias. 

A doença matou centenas de crianças durante décadas em Muzaffarpa, na Índia, por causa do hábito em comer lichias ainda não maduras que elas encontram no chão das plantações. A região que concentrou o surto é responsável por 70% da colheita de lichias do país.

A descoberta aponta que a fruta contém altas doses de hipoglicina, uma toxina que inibe a capacidade do corpo de sintetizar a glicose. 

Depois que coletaram o material genético de 300 crianças afetadas, os médicos descobriram algo em comum. Muitas delas tinham um nível baixo de açúcar no sangue e por isso tinham o dobro de chance de morrer. 

"Uma das coisas que ouvimos várias vezes das mães era que as crianças não jantavam direito", disse ao jornal americano The New York Times a pesquisadora Srikantiah. A hipoglicina, combinada com os estômagos vazios, era a responsável, então, pelas mortes.

A doença causa encefalopatia, uma inflamação no cérebro. Os relatos apontam que as crianças acordavam cedo, com um choro alto e agudo, e depois tinham convulsões. Em cerca de 40% dos casos, a condição misteriosa levou à morte. 

Na época da colheita das lichias, os surtos da doença começavam no meio de maio e paravam repentinamente até julho, quando começam as chuvas.

As indicações mais concretas da relação entre a lichia e a doença vieram em 2015. Os pesquisadores recomendaram aos habitantes da região de Muzaffarpar que alimentassem bem as crianças antes de dormir e restringissem o consumo da fruta. Em seguida, os casos diminuíram de centenas para menos de 50 por ano.

As investigações começaram em 1995. Inicialmente, os médicos não conseguiram determinar se a doença era causada por uma infecção. Depois, descobriram que as vítimas não tinham febre ou número elevado de glóbulos brancos, as células que protegem o corpo e indicam infecções. 

O estudo, feito por cientistas americanos e indianos, foi publicado no jornal médico britânico The Lancet Global Health na segunda-feira (31/1).

Com informações do Correio Braziliense 

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