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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Os efeitos positivos e negativos da soja no tratamento do cancro da mama

Investigadores americanos utilizaram modelos de ratinho para determinar os efeitos positivos e negativos que o consumo da soja tem no tratamento do cancro da mama, dá conta um estudo publicado na revista “Clinical Cancer Research”.

No estudo, os investigadores da Universidade de Georgetown, nos EUA, descobriram as vias biológicas através das quais o consumo de soja melhora a eficácia do tamoxifeno e reduz a recidiva do cancro da mama. Por outro lado, também foi demonstrado por que motivo a ingestão, pela primeira vez, de alimentos ou de bebidas de soja durante o tratamento com tamoxifeno pode reduzir a eficácia do fármaco e promover a recidiva.

Os investigadores descobriram a biologia molecular que explica por que motivo o consumo de soja, especialmente a sua isoflanona, mais ativa, a genisteína, afeta o tamoxifeno. A genisteína tem uma estrutura semelhante ao estrogênio e ativa os dois receptores do estrogênio humano.

O estrogênio estimula o crescimento do cancro da mama. Contudo, a ingestão elevada de soja entre as mulheres dos países asiáticos tem sido associada a uma taxa de cancro da mama cinco vezes menor, comparativamente com a observada nas mulheres ocidentais, que ingerem menos soja.

Em 2012, mais de 70% das 1,67 milhões de mulheres diagnosticadas com cancro de mama em todo o mundo eram positivas para receptor de estrogênio. O tamoxifeno e outras terapias endócrinas que têm como objetivo reduzir a capacidade do estrogênio promover o crescimento do cancro, são os fármacos mais comumente utilizados nestes tipos de cancro. Apesar de as terapias endócrinas serem altamente eficazes na prevenção ou no tratamento do cancro da mama, cerca de metade das pacientes apresentam resistência e / ou recidiva do cancro.

Através da utilização de um modelo de ratinho mais avançado do que aquele utilizado em estudos anteriores, os investigadores descobriram que o momento em que a soja é consumida é crucial.

Xiyuan Zhang, o líder do estudo, referiu que o consumo sustentado de soja antes de o desenvolvimento do cancro da mama melhora a imunidade contra o cancro, protegendo assim contra a sua progressão e recidiva.

O estudo apurou que a soja também inibe um mecanismo, conhecido por autofagia, que permite às células cancerígenas sobreviverem. Este achado explica por que motivo a soja melhora a eficácia do tamixofeno.

Estudos anteriores realizados em mulheres demonstraram que não havia qualquer efeito adverso associado ao consumo de soja no resultado do cancro da mama. Contudo, este estudo demonstrou que o mesmo não se verifica quando a soja é consumida após o cancro se ter desenvolvido.

O consumo de genisteína pelos ratinhos após o cancro da mama se ter desenvolvido não desencadeou uma resposta imune anti-tumoral capaz de eliminar as células cancerígenas. 

Leena Hilakivi-Clarke conclui que se estes resultados forem confirmados em mulheres, estes sugerem que as pacientes com cancro da mama podem continuar a consumir soja após o diagnóstico deste tipo de cancro, mas não devem começar a consumi-la se nunca tiverem ingerido genisteína anteriormente.

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