quinta-feira, 23 de março de 2017

Dormir mal faz reduzir níveis de testosterona

A privação do sono faz diminuir os níveis de testosterona influenciando negativamente a função sexual, metabólica e comportamental, alertou o presidente da Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono (APCMS), Miguel Meira e Cruz.

“Este ano a Associação Mundial de Medicina do Sono decidiu fazer um alerta numa área que tem sido pouco debatida, mas que tem um significado importante, a função sexual”, disse à agência Lusa Miguel Meira e Cruz.

O especialista em medicina do sono explicou que “o sono adequado”, além de beneficiar o bem-estar e a prevenção de doenças, regula algumas funções do organismo, nomeadamente a testosterona.

Estudos indicam que a privação total e a privação parcial do sono fazem diminuir “significativamente os níveis de testosterona”, um hormônio importantíssimo” que regula não só a função sexual, como a função metabólica a nível da manutenção de osso, de músculo e de gordura, adiantou o especialista.

A privação de sono potencia também “um risco acrescido cardiovascular e metabólico, nomeadamente no que diz respeito à diabetes”, acrescentou. 

A médio e a longo prazo, a redução deste hormônio pode também levar a alterações comportamentais, como a agressividade e a impulsividade.

Miguel Meira e Cruz coordenou cientificamente um estudo realizado em Moscovo com estudantes universitários saudáveis e com sono regular. O estudo teve como objetivo observar o que sucederia quando lhes fosse retirado “uma parte importante do sono de ondas lentas”, um período do sono com propósitos de recuperação metabólica e hormonal.

Os resultados do estudo verificaram que, após uma noite com a redução deste período de sono, os alunos apresentavam níveis significativamente mais baixos de testosterona em comparação com a noite normal.

“Sendo a testosterona uma hormona que oscila ao longo das 24 horas do dia, a sua produção, nomeadamente o seu pico, depende do sono, e se o sono é fragmentado ou reduzido, os seus níveis diminuem na manhã seguinte, sendo isto uma realidade válida para todas as idades”, frisou Miguel Meira e Cruz.

Segundo esta associação, 21% dos adultos dorme menos de seis horas por dia. Estima-se que 25% dos portugueses sofra de insônia crônica, com especial incidência nas mulheres e idosos.

Com informações de  ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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