domingo, 5 de março de 2017

Malária multirresistente ameaça controle global da doença

A malária multirresistente tomou conta de partes da Tailândia, do Laos e do Camboja, ameaçando minar o progresso alcançado contra a doença, disseram cientistas.

Parasitas da malária resistentes às melhores terapêuticas atuais (artemisinina e piperaquina) se espalharam por todo o Camboja, inclusive com parasitas multirresistentes mais adaptados, disseminados no sul do Laos e no nordeste da Tailândia.

"Estamos perdendo uma competição perigosa para eliminar a malária resistente à artemisinina (...) antes que a resistência generalizada aos antimaláricos que compõe o esquema inviabilize essa vitória", disse Sir Nicholas White, médico e professor da Oxford University, na Grã-Bretanha e da Mahidol University, na Tailândia, que coliderou a pesquisa.

"As consequências da propagação da resistência até a Índia e a África poderiam ser graves se a resistência aos medicamentos não for abordada sob uma perspectiva mundial de emergência em saúde pública.

Mais de metade da população mundial corre risco de contrair malária. A maioria das vítimas é de crianças menores de cinco anos que vivem nas regiões mais pobres da África subsaariana.

Os recentes avanços contra esta doença transmitida por mosquitos têm sido drásticos, e o número de pessoas que adoecem caiu significativamente, mas a malária ainda mata mais de 420.000 pessoas por ano, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Especialistas em malária de todo o mundo dizem que a atual resistência emergente aos medicamentos na Ásia é uma das mais graves ameaças a esses avanços.

Do final dos anos 1950 até os anos 1970 os parasitas da malária resistentes à cloroquina se espalharam pela Ásia e, a seguir, pela África, levando ao recrudescimento dos casos da doença e resultando em milhões de mortes.

A cloroquina foi substituída pela associação sulfadoxina-pirimetamina, mas a resistência à sulfadoxina-pirimetamina surgiu ulteriormente no Camboja ocidental e novamente se espalhou para África.

O temor agora é de que o mesmo padrão de resistência se espalhe e promova novamente o recrudescimento da doença.

"Observamos atualmente o aparecimento desta linhagem parasitária resistente muito bem-sucedida, eliminando os seus pares, e se propagando por uma vasta área, disse o Dr. Arjen Dondorp, médico da Mahidol Oxford Tropical Medicine Research Unit na Tailândia, que coliderou o trabalho.

As tentativas de controlar a malária na Ásia devem ser reforçadas com urgência, "antes que a doença se torne praticamente intratável".

Em seu estudo publicado on-line em 1º de fevereiro no periódico The Lancet Infectious Diseases, os cientistas disseram que depois de examinar amostras de sangue de pacientes com malária no Camboja, no Laos, na Tailândia e em Mianmar, eles descobriram que uma única linhagem parasitária mutante, conhecida como PfKelch13 C580Y, se espalhou por estes três países, substituindo os parasitas com outras mutações menos resistentes à artemisinina.

Os pesquisadores explicaram que, embora a mutação C580Y não necessariamente torne o parasita mais resistente aos medicamentos, ela exibe outras qualidades que a fazem mais arriscada – principalmente por ser mais adaptável, mais transmissível e capaz de se espalhar de forma mais ampla.

Com informações de Lancet  e Medscape

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