quinta-feira, 20 de abril de 2017

Cancro do pâncreas: nova abordagem faz aumentar sobrevivência

Um novo estudo indicou que a utilização de um fármaco para “amolecer” os tumores do cancro do pâncreas antes da quimioterapia fez duplicar a sobrevivência e reduziu o avanço da doença.

O cancro do pâncreas apresenta apenas uma taxa de sobrevivência de 7% ao longo de cinco anos, um número que pouco mudou em 40 anos. A quimioterapia combinada apenas consegue aumentar moderadamente a sobrevivência do paciente. 

O estudo conduzido por uma equipe de investigadores liderados por Marina Pajic e Paul Timpson do Instituto Garvan de Investigação Médica em Sydney, Austrália, foi baseado em ratinhos geneticamente modificados para desenvolverem cancro do pâncreas, bem como ratinhos com tecido tumoral pancreático de pacientes.

A equipe descobriu que a administração do fármaco Fasudil nos tumores três dias antes do início da quimioterapia normalmente usada no cancro do pâncreas fez desacelerar o progresso da doença e duplicar a sobrevivência nos roedores.

O fármaco Fasudil causa a inibição de uma proteína conhecida como ROCK, que supostamente endurece as células que rodeiam os tumores e ajuda no desenvolvimento da doença.  

Segundo os investigadores, este fármaco “amolece” o tecido tumoral de forma a que este responde mais prontamente à quimioterapia combinada. O Fasudil age ao nível do estroma, que é o microambiente de vasos sanguíneos, células e outras estruturas que rodeiam as células cancerígenas. 

O fármaco distende a estrutura deste microambiente e torna os vasos sanguíneos permeáveis, fazendo assim aumentar a eficácia da quimioterapia. Estes efeitos foram observados em tempo real com microscópios de ponta. 

Sabe-se que a interação entre as células cancerígenas e o microambiente tumoral é um fator importante para a sobrevivência tumoral e avanço do cancro do pâncreas e de outros cancros com tumores sólidos. 

“Existia desde há muito uma grande controvérsia na investigação do cancro sobre se incidir sobre o estroma poderia tornar os tumores pancreáticos mais suscetíveis ao tratamento”, avançou Paul Timpson. 

“Acho que resolvemos esse debate. Conseguimos demonstrar pela primeira vez que é essencial tratar primeiro o estroma e o tumor de seguida, e aperfeiçoar o tempo de tratamento de forma a maximizar os resultados e minimizar os efeitos secundários”, concluiu.

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