segunda-feira, 3 de abril de 2017

Cirurgia pode reduzir em 90% convulsões de pacientes com epilepsia

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 50 milhões de pessoas sofrem de epilepsia no mundo todo. No Brasil cerca de 3 milhões de pessoas têm a doença causada por descargas excessivas nos neurônios. 

Essa desordem cerebral pode ser tanto geneticamente determinada, quanto adquirida por meio de traumatismo, acidente vascular cerebral ou qualquer outra lesão que traumatize o cérebro. 

O sintoma mais característico da epilepsia é a convulsão, consequência da perturbação das células nervosas. Apesar do grave sintoma, a maioria dos casos pode ser tratada com medicamentos. 

De acordo com o Chefe da Unidade de Cirurgia de Epilepsia do Hospital INC (Instituto de Neurologia de Curitiba), Dr Murilo Meneses, a epilepsia pode ser controlada em até 80% dos casos. 

"Os pacientes que não respondem aos medicamentos são submetidos a uma investigação rigorosa com exames específicos (entre eles o Vídeo Eeg - eletroencefalograma), que nos indicam se o paciente é apto a outras alternativas de tratamento, como por exemplo à micro neurocirurgia do Nervo Vago", explica. 

O INC é um dos hospitais pioneiros da Estimulação do Nervo Vago, alternativa moderna e menos invasiva adotada pelos especialistas mais qualificados da área para reduzir os sintomas da epilepsia. 

"A técnica consiste no implante de um eletrodo no nervo vago esquerdo que é conectado a um gerador que fica no tórax. O gerador, ou marca-passo, é regulado para enviar estímulos através do nervo vago até o cérebro, o que faz inibir as crises convulsivas. Como esse nervo fica no pescoço, não é necessária intervenção intracraniana, o que chama mais atenção dos pacientes", explica o especialista.

A técnica, também conhecida como Terapia VNS, é realizada em centros especializados em cirurgia de epilepsia e precisa ter uma equipe qualificada com neurocirurgião, neurologistas especializados, epileptologista, neurofisiologista, neuropsicólogo, psiquiatra, entre outros profissionais como especialistas em neuroimagem, para que possa realizar o procedimento. 

"A neuroestimulação cerebral tem sido utilizada no mundo inteiro inclusive para outras doenças como Parkinson e doenças psiquiátricas. O método apesar de pouco conhecido no Brasil é referência nos Estados Unidos e na Europa. É uma cirurgia simples que pode reduzir em até 90% as crises convulsivas em pacientes com epilepsia, melhorando a qualidade de vida dessas pessoas", finaliza o Dr. Murilo. 

Com informações do Correio Braziliense

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