domingo, 30 de abril de 2017

Intolerância ao glúten pode ser provocada por um vírus

A infecção com um vírus comum e normalmente assintomático pode ser um dos primeiros passos no desenvolvimento da doença celíaca, uma condição autoimune dolorosa que danifica o intestino.

A doença celíaca envolve a forma como o sistema imunológico encara o glúten, tratando-o como um antígeno e atacando-o - o glúten é uma proteína encontrada no trigo, centeio e cevada.

Até hoje os cientistas acreditavam que se tratasse de uma doença genética.

Contudo, começaram a surgir indícios de que a doença aparece associada a infecções virais. Os relatos incluem infecções por adenovírus, que causam resfriados, rotavírus, que podem causar diarreia, e o vírus da hepatite C.

Bana Jabri e sua equipe da Universidade de Chicago (EUA) descobriram agora que expor camundongos a um reovírus comum, chamado T1L, quebra a tolerância ao glúten nos animais - uma evidência experimental de que alguns vírus podem, de fato, abrir o caminho para o início da doença celíaca.

Alergia ao glúten

Quando a equipe alimentou os camundongos com gliadina, um componente do glúten, eles constataram que os animais passavam a produzir de duas a três vezes mais anticorpos contra o composto durante os dois dias seguintes - mas apenas os animais no grupo que estava infectado com o reovírus.

"O reovírus muda a forma como o sistema imunológico vê o glúten," disse Jabri.

Normalmente o sistema imunológico aprende a tolerar a vasta gama de substâncias presentes em nossos alimentos, incluindo o glúten. Mas estes experimentos demonstram que a infecção com o reovírus interfere com esse mecanismo, levando o corpo a atacar o glúten por engano.

"Nossos experimentos são os primeiros a demonstrar que um vírus pode induzir a perda de tolerância aos antígenos da dieta," completou Jabri.

Estes resultados poderiam explicar por que apenas uma pequena proporção de pessoas desenvolve a doença celíaca, que é uma condição muito mais grave do que a intolerância ao glúten.

Os resultados foram publicados na revista Science.


Com informações de New Scientist - Diário da Saúde

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