terça-feira, 25 de abril de 2017

Novo tratamento para problemas cognitivos da quimioterapia?

Um novo estudo sugere um potencial novo tratamento para os problemas cognitivos que afetam cerca de um terço dos pacientes submetidos a quimioterapia.

O estudo conduzido por uma equipe de investigadores da Universidade de Kansas, EUA, veio na sequência de sintomas apresentados pelos pacientes aos médicos, na sequência continuação do tratamento quimioterápico, que incluem falhas de memória visual e verbal, problemas na capacidade de atenção e concentração e na rapidez de processamento da informação.

Michael Johnson, professor associado de Química investigou a química do cérebro subjacente àquela disfunção cognitiva através de modelos de roedores e apresentou formas de tratamento possíveis. 

Num estudo, o investigador e o colega David Jarmolowicz, demonstraram que 5-fluorouracil, um fármaco comum usado na quimioterapia, danifica a integridade de mielina, que é a camada protetora constituída por gorduras e proteína que se forma à volta das células do cérebro. 

Os danos causados na mielina correspondem a problemas neurodegenerativos no hipocampo, uma área do cérebro fundamental para a aprendizagem e memória, assim como nas mitocôndrias das células, onde os nutrientes são transformados em energia.

Este estudo demonstrou ainda que a quimioterapia faz aumentar os níveis de peróxido de hidrogênio no cérebro e que um composto químico denominado KU-32 pode fazer reduzir os efeitos negativos devido ao excesso desta substância. O fármaco KU-32 conseguiu travar o declínio cognitivo da quimioterapia em ratazanas. 

Um outro estudo demonstrou que a quimioterapia exerce efeitos adversos sobre os neurotransmissores dopamina e serotonina. A dopamina está associada à aprendizagem, memória e outras capacidades cognitivas. A serotonina está associada a estados emocionais e ajuda a controlar o estado de humor, a qualidade do sono e outros.

Este estudo revelou que o tratamento com a carboplatina, outro composto quimioterápico comum afetava a libertação de dopamina em 42% e a de serotonina em 55% nos cérebros de ratazanas em comparação com as que não tinham recebido quimioterapia. 

Michael Johnson considera que estas descobertas poderão conduzir a novos tratamentos para os sintomas adversos da quimioterapia sobre o cérebro, bem como beneficiar a pesquisa sobre outras doenças.

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