segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pílula anticoncepcional protege contra alguns tumores

Médicos afirmam que a maioria das mulheres que utilizam pílula anticoncepcional deve ficar tranquilas com um novo estudo que mostra que elas não têm um risco maior de câncer.

A pesquisa, da University of Aberdeen, sugere que o anticoncepcional pode, na verdade, proteger mulheres contra alguns tipos de câncer.

Investigação de longo prazo

Os achados são os últimos a emergir do Oral Contraception Study que foi estabelecido em 1968 pelo Royal College of General Practitioners (RCGP) para pesquisar os efeitos de longo prazo da pílula contraceptiva oral.

No começo do estudo, a pílula era um tipo de contracepção relativamente novo, tendo sido introduzido pela primeira vez nos EUA em 1960.

Ainda naquela época surgiu a preocupação sobre se a pílula poderia causar câncer. Esses temores, juntamente com alertas da mídia, levaram gerações de mulheres a se questionarem sobre os possíveis riscos para a saúde ao escolherem esse método de controle de natalidade.

Preocupações sobre câncer

Diversos estudos avaliaram a ligação potencial entre a pílula e diferentes tipos de câncer. Os resultados sugerem coletivamente que mulheres que usam ou usaram recentemente a pílula apresentam um risco aumentado de câncer de mama e cervical. Por outro lado, usuárias de contraceptivo oral parecem ter risco reduzido de câncer de endométrio e de ovário.

Esses estudos sugeriram que os efeitos perduraram por muitos anos depois que as mulheres pararam de utilizar a pílula. Também, que usuárias atuais ganharam proteção para câncer de intestino, embora permaneça inconclusivo se essa proteção persistiu depois do término do uso da pílula.

Para o estudo do Reino Unido, 46.022 mulheres foram recrutadas e tiveram a saúde acompanhada por 44 anos. Isso o torna o estudo mais longo do mundo sobre os efeitos da pílula.

Uma análise dos dados, publicados no American Journal of Obstetrics and Gynaecology, mostrou que o uso da pílula levou a:

Um risco 19% menor de câncer de intestino

Um risco 34% menor de câncer de endométrio

Um risco 33% menor de câncer de ovário

Além disso, esses efeitos protetores perduraram por no mínimo 30 anos depois que o uso da pílula foi interrompido.

Dados tranquilizadores

Os pesquisadores também examinaram o risco de todos os tipos de câncer em mulheres que utilizaram a pílula. Isso mostrou que o uso da pílula durante a vida reprodutiva não produz novos riscos de câncer para as mulheres mais tarde na vida, quando as neoplasias se tornam mais comuns na população como um todo.

Comentando os resultados em uma declaração à imprensa a Profa. Dra. Helen Stokes-Lampard, presidente do RCGP, disse: "Milhões de mulheres em todo o mundo que utilizam contraceptivos orais combinados deveriam ser tranquilizadas por essa pesquisa abrangente de que não têm um risco aumentado de câncer – e que tomar a pílula pode, na verdade, diminuir o risco delas para certos tipos de câncer".

No entanto, ela acrescenta: "Isso não significa defender que as mulheres devam receber a pílula como uma medida protetora contra o câncer, pois sabemos que uma minoria de mulheres apresenta efeitos adversos na saúde como resultado do uso da pílula. A decisão final de se prescrever a pílula precisa ser feita de forma individualizada, mas essa pesquisa será útil para informar o diálogo que temos com nossas pacientes ao discutir as várias opções de contraceptivos disponíveis".

Lifetime cancer risk and combined oral contraceptives: the Royal College of General Practitioners' Oral Contraception Study, Iversen L et al, no American Journal of Obstetrics and Gynaecology

University of Aberdeen

Royal College of General Practitioners (RCGP)

Com informações de Medscape

Nenhum comentário:

Postar um comentário