segunda-feira, 15 de maio de 2017

Afinal onde nascem as metástases?

Uma equipa de investigadores descobriu a razão pela qual alguns cancros apresentam recidiva vários anos após a sua remissão.

Num estudo conduzido pela pelo Instituto de Investigação Scripps, EUA, a uma equipa descobriu que os tumores invasivos podem começar a espalhar células tumorais bem mais cedo do que se pensava. Ao que parece, essas células que entram no fluxo sanguíneo, mesmo antes de o tumor primário ser detetado, podem formar tumores secundários que não são detetados durante vários anos. 

Os investigadores descobriram ainda que as células tumorais que se espalham chegam ao fluxo sanguíneo através dos vasos sanguíneos no interior do núcleo denso do tumor, o que contradiz a teoria que as células que formam metástases são oriundas da parte periférica invasiva do tumor.

Elena Deryugina, autora principal do estudo, adiantou que “o processo atual da disseminação das células cancerígenas através de vias hematógenas é um processo relativamente pouco estudado, mas temos finalmente uma resposta sobre onde sucede”.

Para o estudo, a equipa decidiu analisar a visão convencional da formação de metástases do cancro que descreve os tumores em quatro estados, desde o estado 1, em que está mais ou menos confinado, até ao 4 em que está associado normalmente à presença de metástases ou tumores secundários.

Foram utilizadas linhas de células cancerígenas de tumores de fibrossarcomas e carcinomas humanos. A equipa descobriu que os tumores primários quando se encontram num estado inicial podem libertar células, independentemente da invasão do cancro para tecidos adjacentes. Este facto poderá explicar a razão pela qual aparecem tumores secundários antes das estimativas dos médicos.

Adicionalmente, isto poderá explicar porque é que os pacientes com tumores em estados iniciais continuam em risco de desenvolver metástases.

Este novo estudo foi o primeiro a analisar tumores inteiros para descobrir exatamente de onde se saem as células que vão para a corrente sanguínea, através de uma proteína fluorescente que lhes permitiu identificar as células tumorais humanas das dos animais.

O método utilizado permitiu à equipa mapear os vasos sanguíneos tumorais em 3-D, dando lugar à descoberta de todo o processo de escape das células tumorais.

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