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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Desenvolvida vacina para meningite, pneumonia e morte por choque séptico

Investigadores do Porto desenvolveram uma vacina que ajuda a prevenir ao mesmo tempo infecções bacterianas que causam doenças como meningite, pneumonia, septicemia (infecção na corrente sanguínea) e, nos casos mais críticos, morte por choque séptico, anunciou a agência Lusa.

As bactérias que originam essas patologias ('Klebsiella pneumoniae', 'Escherichia coli', 'Estreptococus' do Grupo B, 'Streptococcus pneumoniae' e 'Staphylococcus aureus') são estirpes muito resistentes e causam "um enorme problema para a saúde pública", disse à Lusa o investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, Pedro Madureira.

"A partir do momento que essas bactérias infectam o hospedeiro [indivíduo], são capazes de libertar uma molécula (uma proteína designada de GAPDH)", que as torna "invisíveis" ao sistema imunológico, "impedindo assim o início de uma resposta imune", explicou o cientista, um dos fundadores da empresa Immunethep, responsável pela criação da vacina. 

Sem uma resposta adequada do nosso sistema imune, continua Pedro Madureira, as bactérias "rapidamente proliferam" na corrente sanguínea e nos órgãos infectados, podendo levar às tais patologias, consideradas "bastante severas".

"Embora esta vacina seja destinada a todas as pessoas", existem indivíduos nos quais a "incidência desse tipo de infecções é maior", como os recém-nascidos, os idosos, os portadores de diabetes do tipo I, os pacientes submetidos a intervenções cirúrgicas invasivas (operações ao coração ou à espinal medula) ou com doença pulmonar obstrutiva, por exemplo.

O investigador considera que esta vacina é "inovadora", visto que, ao invés de induzir uma resposta imune (produção de anticorpos) contra a bactéria em si, induz sim uma resposta que neutraliza uma única molécula (GAPDH), libertada pelas bactérias, permitindo ao sistema imune controlar as diferentes infecções.

A vacina, que já passou por ensaios laboratoriais com ratos e coelhos, vai passar à fase dos ensaios clínicos no último trimestre de 2017, prevê o investigador.

De acordo com Pedro Madureira, para além da vacina, a Immunethep está a desenvolver uma forma de terapia baseada em anticorpos monoclonais, que neutralizam a proteína GAPDH, podendo ser usados em pessoas já infectadas e para as quais não há tempo para vacinação.

"Estes anticorpos têm a vantagem, em relação à vacina, de atuaram muito rápido e a desvantagem de não induzirem ‘memória imunológica’", que está associada à capacidade do nosso sistema imune de, após um primeiro contato com um agente estranho, conseguir "desencadear uma resposta muito mais rápida e eficiente", explicou.

Pedro Madureira falou também sobre a importância e a história das vacinas, de forma a "desmistificar" algumas incertezas sobre a vacinação e, ainda, sobre esta ter sido a "grande conquista da imunologia e da medicina". A vacina "é algo que funciona", sendo esta a abordagem clínica que "melhores resultados trouxe para a humanidade", rematou.

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