segunda-feira, 29 de maio de 2017

Diabetes tipo 1 curada em ratinhos

Uma equipe de investigadores efetuou um estudo que poderá conduzir a uma potencial cura para a diabetes de tipo 1 e possivelmente à cessação de shots de insulina em indivíduos com diabetes de tipo 2.

O estudo conduzido pelo Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, EUA, consistiu no desenvolvimento de uma nova técnica que faz aumentar o tipo de células do pâncreas que podem segregar insulina. A nova abordagem curou a diabetes de tipo 1 em ratinhos.

O novo tratamento foi efetuado através de uma técnica conhecida como transferência genética. É usado um vírus como vetor para introduzir genes no pâncreas. Esses genes incorporam-se e fazem com que as enzimas digestivas e outros tipos de células produzam insulina.

Ao contrário das células beta que são rejeitadas pelo organismo em indivíduos com diabetes de tipo 1, as outras células do pâncreas coexistem com as defesas imunitárias do organismo.

“Se um diabético de tipo 1 tem vivido com essas células durante 30, 40 ou 50 anos, se apenas estamos a fazer com que segreguem insulina, não esperamos uma resposta imunitária adversa”, avançou Ralph DeFronzo, docente de Medicina e Diretor da Divisão de Diabetes no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas e coautor do estudo.

O novo tratamento regulou os níveis de açúcar no sangue dos ratinhos, o que poderá constituir um enorme avanço sobre o tratamento com insulina tradicional e alguns medicamentos para a diabetes que fazem descer o açúcar no sangue em demasia se não se fizer uma monitorização cuidadosa.

Bruno Doiron, também coautor do estudo, notou que “um dos grandes problemas no campo da diabetes de tipo 1 é a hipoglicemia (baixo açúcar no sangue)”. O investigador explicou ainda que: “a transferência genética que propomos é notável porque as células alteradas ficam com as características das células beta. A insulina só é libertada como resposta à glicose”.

Segundo ainda o especialista, as pessoas só evidenciam sintomas de diabetes após terem perdido pelo menos 80 por cento das suas células beta. “Não temos que replicar toda a função de produção de insulina das células beta. É suficiente a reparação de 20 por cento desta capacidade para uma cura de um tipo 1”, disse. 

“Curamos ratinhos durante um ano sem quaisquer efeitos secundários. Tal nunca foi visto. Mas é um modelo de ratinhos, sendo que é necessário algum cuidado. Queremos levar isto para animais de grande porte que sejam mais parecidos com os humanos em termos de sistema fisiológico e endócrino”. 

Os investigadores esperam conseguir testar o novo método em humanos no espaço de três anos.

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