segunda-feira, 29 de maio de 2017

Enzima num comprimido para a intolerância ao glúten?

Uma equipe de investigadores conduziu um estudo em que descobriu uma enzima que decompõe pequenas quantidades de glúten no sistema digestivo.

O estudo liderado por Julia König, investigadora na Escola de Ciências Médicas da Universidade de Örebro, Suécia, foi apresentado na conferência Digestive Disease Week® (DDW) 2017, em Chicago, EUA.

A enzima PEP-AN – prolil endoprotease derivada de Aspergillus niger – quando tomada em forma de comprimido quando se consome alimentos com glúten, consegue evitar que uma quantidade substancial de glúten penetre no intestino delgado. 

Isto significa que as pessoas intolerantes ao glúten podem ingerir pequenas quantidades daquela proteína sem sofrerem os sintomas de inchaço, diarreia e dor abdominal. 

Para o estudo, a equipe de investigadores contou com 18 pacientes que diziam ser intolerantes ao glúten. Foram oferecidas papas de aveia com duas bolachas esmagadas de trigo com glúten aos participantes, juntamente com uma dose alta ou baixa de PEP-AN ou um placebo. Posteriormente, foram medidos os níveis de glúten no estômago e intestino delgado dos participantes ao longo de três horas.

Foi apurado que tanto as doses baixas como altas de PEP-AN conseguiram decompor o glúten no estômago e primeira parte do intestino delgado (duodeno). Os níveis de glúten no estômago dos participantes de ambos os grupos de baixa e alta dose da enzima eram 85% inferiores dos níveis do grupo do placebo. 

Foi também observado que ao chegar ao duodeno, os níveis de glúten tinham diminuído 81% no grupo que tinha ingerido uma dose elevada de PEP-AN e 87% no grupo da dose baixa, em comparação com o grupo do placebo.

Julia König avançou que: “há estudos que demonstram que mesmo seguindo uma dieta sem glúten, pode ocorrer a ingestão não intencional de glúten, dependendo de quão rigorosa é a pessoa que segue a dieta sem glúten”.

“Os nossos achados sugerem que esta enzima pode potencialmente reduzir os efeitos secundários que ocorrem quando os indivíduos intolerantes ao glúten comem acidentalmente um pouco de glúten. Não estamos a sugerir que a PEP-AN dê a esses indivíduos a capacidade de comerem pizza ou massa, fontes de grandes quantidades de glúten, mas pode fazê-los sentir melhor se ingerirem glúten acidentalmente”. 

A investigadora ressalvou. No entanto, que não efetuaram o estudo em pacientes com a doença celíaca pois mesmo uma quantidade muito reduzida de glúten pode causar danos duradouros nos pacientes.

Com informações de ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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