segunda-feira, 29 de maio de 2017

Novo exame torna ossos transparentes

Dez anos atrás, os ossos que hoje sustentam seu corpo simplesmente não existiam. Assim como nossa pele, nossos ossos estão constantemente se renovando, dispensando o tecido velho e fazendo crescer um novo a partir de células-tronco que permanecem de prontidão na medula óssea.


Em um osso saudável, existe um equilíbrio delicado entre as células que constroem a massa óssea nova e as células que destroem o osso velho, em um ciclo contínuo de regeneração. Esse processo é parcialmente controlado pelas células-tronco da medula óssea, chamadas osteoprogenitoras, que se diferenciam em osteoblastos ou osteócitos, que regulam e mantêm o esqueleto.

Essa é a teoria com base no que se conhece até hoje, mas para entender melhor doenças como a osteoporose, que ocorre quando a perda de massa óssea atinge um nível tal que eleva muito o risco de fraturas, é crucial estudar detalhadamente esse processo, em busca dos meandros de cada mecanismo em operação.

Ossos transparentes

Uma das dificuldades para realizar esses estudos tão necessários é que as células-tronco envolvidas são raras e não ficam distribuídas uniformemente em todo o osso.

Por isso, Alon Greenbaum e seus colegas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA) desenvolveram uma nova técnica capaz de tornar transparentes ossos intactos, permitindo aos pesquisadores observar essas células-tronco dentro do seu ambiente natural.

O método é um melhoramento de uma técnica chamado Clarity, desenvolvida originalmente para tornar transparentes a pele humana e até o tecido cerebral de animais de laboratório, também com vistas ao seu estudo mais detalhado.

Para isso, o método remove das células as moléculas de lipídeos, que são opacas, ao mesmo tempo fornecendo um suporte estrutural, para que o tecido não se desmonte, por meio da injeção uma malha de hidrogel transparente.

A equipe agora descobriu uma maneira de limpar tecidos duros, como os ossos.

Importância dos ossos

"Devido à dispersão da população de células-tronco nos ossos, é difícil extrapolar seu número e suas posições a partir de apenas algumas fatias de osso. Além disso, cortes nos ossos provocam deterioração e perda do ambiente complexo e tridimensional do osso. Assim, há uma necessidade de se ver dentro do tecido intacto," detalhou Alon Greenbaum.

"Os biólogos estão começando a descobrir que os ossos não são apenas suportes estruturais," explica a professora Viviana Gradinaru, coordenadora da equipe. "Por exemplo, os hormônios dos ossos enviam sinais cerebrais para regular o apetite, e estudar a interface entre o crânio e o cérebro é uma parte vital da neurociência. A nossa esperança é que [a nova técnica] ajude a abrir novos caminhos na compreensão do funcionamento interno desses órgãos essenciais."

Com informações de Diário da Saúde

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