sexta-feira, 16 de junho de 2017

Bioinformática: Computadores apoiando as pesquisas em saúde

Quando se fala em pesquisas relacionadas à saúde, talvez a primeira imagem que venha à cabeça seja a de laboratórios aparelhados com microscópios, tubos de ensaio, pipetas e vários outros equipamentos que fazem parte do universo científico.

Há, entretanto, áreas que, embora não utilizem nenhum desses equipamentos, têm gerado contribuições valiosas para os estudos em saúde.

Uma delas é a bioinformática estrutural, que utiliza métodos computacionais - programas de computador especializados - para explicar fenômenos biológicos, guiando a experimentação dos laboratórios e dos experimentos tradicionais na busca de soluções e tratamentos para diferentes doenças.

"A ciência vive do questionamento, da geração de hipóteses que precisam ser validadas experimentalmente. Nesse contexto, o método computacional funciona como um guia, de forma a gerar novas hipóteses e filtrar aquilo que vai para a bancada para ser testado e validado. Entre as vantagens de utilizar esse tipo de metodologia está a economia de tempo e de dinheiro", explica o pesquisador Douglas Pires, da Fiocruz Minas.

Douglas faz parte de uma equipe que estuda a utilização e a evolução dos métodos computacionais aplicados ao estudo das mutações genéticas.

Efeitos das mutações genéticas

A equipe da Fiocruz está usando uma plataforma online pioneira, chamada mCSM, que analisa e prediz o impacto de mutações em estruturas moleculares de proteínas sob diversas perspectivas - o programa é capaz de avaliar as consequências de mutações na estabilidade de proteínas e as interações dessas mutações com outras proteínas, ácidos nucleicos, íons e pequenas moléculas que constituem o organismo humano.

A equipe conseguiu demonstrar, por exemplo, o risco que mutações oferecem para o desenvolvimento de câncer renal em pessoas com histórico da doença na família. "Esse método elucida o mecanismo da doença sob o ponto de vista molecular, possibilitando que as pessoas que apresentem algum risco de desenvolvê-la possam ser monitoradas, de forma a identificá-la o mais cedo possível, já que o diagnóstico precoce é decisivo nesses casos", explica Douglas.

Outra pesquisa visa identificar mutações genéticas que geram resistência a medicamentos, dentre eles os usados no tratamento da tuberculose. A resistência acontece quando as bactérias causadoras da infecção sofrem mutações genéticas, fazendo com que os antibióticos aplicados se tornem ineficazes. Por meio da bioinformática estrutural, pretende-se obter uma compreensão aprofundada a respeito dessas alterações, identificando quais delas interferem no efeito dos medicamentos e que tipo de reações provocam no organismo do paciente, de forma a apontar tratamentos mais personalizados.

"Um dos nossos principais objetivos é identificar o mais rápido possível novas mutações responsáveis pela resistência, para que o tratamento possa ser reavaliado e modificado, tendo em vista as características da bactéria que está causando a doença. Hoje, o intervalo de tempo entre a suspeita e a confirmação de que o medicamento não está fazendo efeito é um dos principais problemas no enfrentamento da tuberculose resistente", explica o pesquisador.

Com informações da Fiocruz Minas e Diário da Saúde

Nenhum comentário:

Postar um comentário