segunda-feira, 10 de julho de 2017

Desenvolvidas novas moléculas para tratar Alzheimer

Uma equipe internacional liderada por um investigador da Universidade de Évora (UÉ) produziu novas moléculas para o tratamento do Alzheimer, que inibem o funcionamento de um tipo de enzima implicado na doença, anunciou a agência Lusa.

“Fabricamos várias moléculas e algumas delas foram testadas em alvos biológicos de doença de Alzheimer, contra uma enzima que é implicada na doença”, disse à agência Lusa Anthony Burke, do Centro de Química de Évora da UÉ (CQE-UÉ).

Segundo o investigador, estas moléculas criadas no laboratório do CQE-UÉ “inibem o funcionamento das enzimas responsáveis pela degradação de um neurotransmissor que é essencial para o cérebro e para os neurônios”.

“O neurotransmissor chama-se acetilcolina (ACh) e é muito bom para o cérebro. O problema é que os doentes com Alzheimer têm uma deficiência deste neurotransmissor, que tem a ver com o funcionamento da memória e que provoca, depois, a degradação dos neurônios”, realçou. 

As moléculas produzidas na UÉ, ao inibirem o funcionamento da enzima colinesterase (ChE), que destrói a acetilcolina, são eficazes para o tratamento da doença de Alzheimer, de acordo com a equipe de investigação.

“Estas moléculas não servem para curar a doença, mas podem combater sintomas do Alzheimer. São eficazes para que o doente possa obter um alívio dos seus sintomas”, frisou Anthony Burke.

O estudo foi conduzido em colaboração com o Instituto Max Planck, de Potsdam, na Alemanha para a produção de novas moléculas quirais, isto é, que apresentam apenas na sua composição o ingrediente ativo benéfico.

São, assim, “mais seguras para o organismo humano”, disse Anthony Burke, salientando que, atualmente, no mercado, “existem poucos fármacos para doentes de Alzheimer” e “apenas um que também inibe a mesma enzima responsável pela degradação do neurotransmissor”.

Mas, apesar desse outro fármaco, frisou o investigador, a molécula criada no Centro de Química da academia alentejana “é nova e é inovadora”. “Já a testamos em ratinhos e verificamos que conseguiu ser absorvida pelo organismo e pelo cérebro, com bons resultados”, congratulou-se.

O investigador admitiu que “ainda se está longe da fase de ensaios clínicos, em humanos”, mas o fato de as moléculas terem sido submetidas "com sucesso aos testes preliminares, nos ratinhos de laboratório", indicam que um futuro fármaco pode ser benéfico para os doentes.

“Pode, eventualmente, ser um melhor e mais eficaz fármaco do que as soluções que já existem no mercado. E pode também vir a ser mais barato”, afirmou.

Com informações de ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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