segunda-feira, 10 de julho de 2017

Glucagon nasal soluciona a hipoglicemia grave no diabetes tipo 1

Esguichar uma dose de glucagon em pó na narina de um adulto com diabetes tipo 1 que apresenta um episódio de hipoglicemia de moderado a grave foi fácil para o cuidador e levou à recuperação dentro de 30 minutos em quase todos os pacientes em um estudo de fase 3.

Especificamente, os pacientes tratados se recuperaram da hipoglicemia dentro de meia hora em 96% dos casos, e 90% dos cuidadores (tipicamente o cônjuge) consideraram o produto fácil de usar, relatou a Dra. Elizabeth R. Seaquist, University of Minnesota School of Medicine, Minneapolis, nas recentes Sessões Científicas de 2017 da American Diabetes Association (ADA).

"Nós concluímos que a dose de 3 mg de glucagon nasal em uma embalagem sem agulhas e de fácil utilização fornece uma alternativa potencial ao glucagon recombinante injetável disponível atualmente", disse ela.

"Realmente parece que esse produto, ainda em fase de testes, pode ser uma boa alternativa ao glucagon injetável intramuscular para tratar a hipoglicemia grave fora do contexto hospitalar", reiterou ela.

Mesmo após os cuidadores serem ensinados a preparar e usar o glucagon injetável, "eles geralmente não o utilizam" e podem se sentir impotentes enquanto aguardam a chegada do resgate, de acordo com a Dra. Elizabeth.

O presidente da sessão Dr. Raimund I Herzog, da Yale School of Medicine, New Haven, Connecticut, concordou. Seria "excitante" ter essa nova opção para tratar hipoglicemia, disse ele.

Em outubro de 2015, a Eli Lilly adquiriu os direitos globais para o produto nasal, que foi originalmente desenvolvido pela companhia canadense Locemia Solutions.

A Lilly pretende submeter a inscrição de novo medicamento à Food and Drug Administration (FDA) dos EUA na primeira metade de 2018, incluindo o estudo atual, disse por e-mail ao Medscape Chad Grothen, líder de desenvolvimento global da marca, Lilly Diabetes.

"É prematuro comentar quando o produto estará disponível nos EUA", alertou ele, mas se a inscrição de novo medicamento for aprovada, "estamos empolgados em trazer esse produto ao mercado o mais depressa possível".

Preparar o glucagon injetável pode ser confuso

O tratamento da hipoglicemia grave fora do contexto hospitalar é "limitado ao glucagon injetável, o que requer várias etapas, incluindo reconstituição, e é propenso a erros", explicou a Dra. Elizabeth durante sua apresentação. "As pessoas não conseguem preparar o glucagon injetável com facilidade, e ficam muito confusas quanto a isso".

O glucagon intranasal, por outro lado, foi desenhado para ser simples de administrar.

Estudos prévios demonstraram o sucesso no uso do glucagon nasal em crianças com diabetes tipo 1 e em adultos, quando administrado por pessoas treinadas, e a efetividade do produto quanto a normalizar a glicemia sanguínea foi mostrada em um estudo que o comparou com o glucagon intramuscular para hipoglicemia.

O estudo atual objetivou avaliar a eficácia (recuperação dentro de 30 minutos) e a facilidade do uso de 3 mg desse produto nasal quando os pacientes apresentaram episódios de hipoglicemia em um contexto de mundo real.

Para pacientes com hipoglicemia grave, que estavam inconscientes ou tendo convulsões, a recuperação foi definida como o despertar. Para pacientes com hipoglicemia moderada, que tiveram uma glicose sanguínea de 60 mg/dL ou menos, a recuperação foi definida como retorno ao estado normal.

O estudo recrutou pacientes em vários locais nos Estados Unidos e no Canadá, que tinham entre 18 e 75 anos e tinham diabetes tipo 1.

A análise de eficácia incluiu 69 pacientes com informações completas, e a análise de segurança também incluiu cinco outros pacientes para os quais faltava a informação do tempo para a resposta.

Em média, os pacientes tinham por volta de 40 anos e tinham diabetes por 27 anos. Metade estava em uso de bombas de insulina, e os demais utilizavam múltiplas injeções diárias de insulina.

Um em cinco pacientes havia apresentado hipoglicemia grave nos 30 dias antes do recrutamento, e apenas 8% nunca haviam tido hipoglicemia grave.

Os 69 pacientes apresentaram 157 episódios de hipoglicemia durante o curso do estudo.

Em 151 eventos hipoglicêmicos (96% dos casos), os pacientes retornaram ao normal ou despertaram dentro de 30 minutos. Em cinco dos seis outros casos, os pacientes se recuperaram entre 30 e 45 minutos. O paciente restante apresentou uma cefaleia que persistiu por mais tempo.

Os pacientes tinham uma glicose sanguínea média de 48 mg/dL na apresentação da hipoglicemia, que se elevou para 113 mg/dL em 30 minutos e continuou a subir.

Sete pacientes tiveram convulsões e três perderam a consciência, mas todos eles despertaram ou retornaram ao estado normal dentro de 30 minutos.

Cuidadores não precisaram chamar a emergência

"De forma importante, nesse estudo, não foi necessário chamar a emergência em nenhum dos episódios de hipoglicemia grave ou moderada", disse a Dra. Elizabeth.

Os eventos adversos foram leves a moderados, e incluíram náuseas e vômitos (o que se sabe que ocorre com o glucagon) e irritação nasal relacionada à via de administração.

A maioria dos cuidadores ficou muito satisfeita e administrou o glucagon nasal rapidamente: 97% relataram que conseguiram administrar a droga em menos de dois minutos, e três quartos o fizeram em 30 segundos.

Quase todos os cuidadores consideraram o kit de instruções simples de entender (96%) e o medicamento fácil de administrar (90%), e ficaram satisfeitos com o produto (94%).

A mesma dose tem sido testada em crianças com diabetes tipo 1, e o produto pode ser potencialmente usado também por pacientes com diabetes tipo 2 que utilizam insulina e podem apresentar hipoglicemia grave, disse a Dra. Elizabeth.

O estudo foi financiado pela Eli Lilly.A Dra. Elizabeth é consultora e autora para Eli Lilly e Novo Nordisk. Declarações dos coautores estão listadas no resumo.

Sessões Científicas de 2017 da American Diabetes Association; 12 de junho de 2016; San Diego, Califórnia. Resumo 357-OR

Com informações de Medscape

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