segunda-feira, 10 de julho de 2017

Nova técnica identifica diretamente compostos de plantas medicinais

Cientistas japoneses desenvolveram um método para isolar e identificar os compostos ativos responsáveis pelos efeitos das plantas medicinais.

Embora existam milhares de plantas medicinais sem uso por falta de catalogação, é difícil desvendar os segredos desses medicamentos naturais porque os efeitos podem ser gerados não apenas por um, mas por vários compostos presentes na planta, que atuam em conjunto.

Assim, em vez de confiar na abordagem tradicional que os cientistas usam, de triturar a planta medicinal, isolar e testar cada componente - o que não tem dado os resultados esperados - a equipe japonesa decidiu fazer do jeito mais difícil, mas mais próximo da realidade.

Eles deram o chá da planta para animais de laboratório e então foram ao ponto a ser tratado e verificaram quais compostos estavam chegando até lá e executando o trabalho de cura. A vantagem é que a técnica permite identificar todos os compostos ativos, evitando que se perca a sinergia da atuação de várias moléculas da planta.

"Os compostos candidatos identificados nos rastreios tradicionais de medicamentos a partir das plantas medicinais nem sempre são os compostos ativos verdadeiros porque esses ensaios ignoram o biometabolismo e a distribuição pelos tecidos," explica o professor Chihiro Tohda, da Universidade de Toyama. "Então, buscamos desenvolver métodos mais eficientes para identificar compostos ativos autênticos que levem esses fatores em consideração".

Naringenina

Tohda e seus colegas testaram sua abordagem usando a planta Drynaria Rhizome, ou Gu Sui Bu, uma erva da Medicina Tradicional Chinesa que tem apresentado ótimos resultados nos problemas de memória associados à doença de Alzheimer.

Os pesquisadores moeram a planta e prepararam um chá, que foi dado por via oral para os camundongos geneticamente modificados para apresentarem sintomas similares ao do Alzheimer humano. O tratamento com a planta reduziu os problemas de memória e os níveis de proteínas amiloide e tau no cérebro dos animais.

A novidade é que a equipe examinou então o tecido cerebral dos animais, onde se presume que o tratamento tenha gerado o efeito, e fizeram isto apenas 5 horas depois de tratarem os camundongos com o extrato. Eles descobriram que três compostos da planta chegaram ao cérebro - um composto chamado naringenina e dois metabólitos da naringenina.

Os pesquisadores então trataram uma nova leva de animais com naringenina pura - e notaram as mesmas melhorias nos défices de memória e reduções nas proteínas amiloide e tau, o que significa que a naringenina e seus metabólitos são muito provavelmente os compostos ativos na planta. Eles também identificaram uma proteína chamada CRMP2, que a naringenina usa para se ligar aos neurônios, o que faz com que cresçam, sugerindo que este pode ser o mecanismo pelo qual a naringenina pode melhorar os sintomas da doença de Alzheimer.

A equipe pretende agora usar a técnica para identificar outros tratamentos. "Estamos aplicando este método para descobrir novas drogas para outras doenças, como lesão da medula espinhal, depressão e sarcopenia," anunciou Tohda.

Com informações do Diário da Saúde

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