segunda-feira, 31 de julho de 2017

Novas ferramentas para o diagnóstico precoce da esclerose sistêmica

Médicos e pesquisadores da Bélgica acreditam já ter em mãos as ferramentas para fazer um diagnóstico precoce - e confirmar esse diagnóstico - da esclerose sistêmica.

A esclerose sistêmica, ou esclerordemia, é uma doença reumática crônica de cunho imunológico que afeta vários órgãos, incluindo o coração. Estima-se que ela atinja entre duas e 10 pessoas por milhão de habitantes, com uma clara predominância feminina.

A fase mais precoce da esclerordemia é caracterizada por inflamação contínua e remodelação microvascular, que progride para a perda de capilares, culminando na fibrose da pele, pulmões, coração e outros órgãos. As complicações mais temidas são a hipertensão arterial pulmonar, a crise renal e a fibrose pulmonar, responsáveis pela maioria das mortes.

Detecção precoce

Após o início da fibrose pulmonar e da hipertensão arterial pulmonar, a esclerose sistêmica apresenta uma sobrevivência de cerca de 50% pacientes nos 10 anos seguintes.

Por isso os pesquisadores estão buscando novas técnicas para tentar diagnosticar a doença mais cedo e formas mais eficazes de tratá-la.

A equipe da Dra. Vanessa Smith, do Hospital Universitário de Ghent, constatou que uma técnica conhecida como videocapilaroscopia evidencia todos os critérios para o chamado "diagnóstico muito precoce" da esclerose sistêmica.

Além disso, um novo teste sanguíneo concebido para detectar autoanticorpos específicos da doença mostrou-se útil como ferramenta para diagnosticar doentes já com suspeita de esclerordemia.

"A esclerose sistêmica é geralmente precedida pela presença do fenômeno de Raynaud, o que proporciona uma oportunidade para investigar os primeiros danos à microcirculação", explicou Vanessa. "A videocapilaroscopia deve ser considerada como uma componente chave dos critérios de detecção precoce, que também envolvem mudanças clínicas na microcirculação no 'fenômeno de Raynaud', presença de anticorpos antinucleares na circulação e dedos inchados."

Videocapilaroscopia

A videocapilaroscopia é um método de imageamento não-invasivo, pouco dispendioso e reprodutível que permite a avaliação de mudanças estruturais na microcirculação periférica. Resultado de uma combinação de um microscópio com uma grande lente de ampliação, integrada com uma câmara de vídeo digital e um software específico, esta técnica permite uma medição precisa da morfologia dos capilares, bem como da sua densidade.

A aparência característica de um padrão da esclerose sistêmica precoce durante a videocapilaroscopia inclui a presença de capilares gigantes e hemorragias. Por outro lado, a perda de capilares, a desorganização da arquitetura vascular e a presença de capilares de forma anormal representam o aspecto mais claro do dano microvascular avançado típico da esclerose sistêmica, que também foi associado com o envolvimento de órgãos em casos da doença já plenamente instalada.

Os resultados foram apresentados durante o Congresso Anual da Liga Europeia Contra as Doenças Reumáticas.

Com informações do Diário da Saúde

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