domingo, 16 de julho de 2017

Técnica cirúrgica recupera a audição de pacientes em Ribeirão Preto

Uma técnica cirúrgica que já beneficia deficientes auditivos de 25 países está disponível no Brasil, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP. 

O procedimento, denominado Ponto Ancorado no Osso, consiste em um implante de titânio fixado na calota craniana, atrás da orelha. Com uma pequena e única incisão, permite uma recuperação mais rápida no pós-operatório. Quatro pacientes foram submetidos à cirurgia, realizada pelo médico otorrinolaringologista Miguel Hyppólito.

"A técnica é minimamente invasiva. Em até 15 minutos é possível colocar o implante auditivo. A cirurgia é feita em regime ambulatorial, em que o paciente é apenas sedado e tem a possibilidade de ir para casa no mesmo dia. Isso minimiza todos os riscos potenciais de um procedimento cirúrgico e permite ao paciente uma recuperação rápida, podendo usufruir dos benefícios da prótese implantada em duas semanas." Professor Miguel Hyppólito, médico otorrinolaringologista.

Os sistemas auditivos de condução óssea podem ser implantados em pessoas com perda auditiva decorrente de problemas na orelha externa e média ou surdez unilateral. Até mesmo crianças podem ser beneficiadas. 

O dispositivo foi desenvolvido para transmitir o som por condução óssea, em substituição à condução aérea presente nas pessoas com audição normal. O processador de som capta as ondas sonoras de maneira semelhante aos aparelhos auditivos convencionais, mas ao invés de essas ondas sonoras serem enviadas através do canal auditivo, elas são transformadas em vibrações e transmitidas diretamente para o ouvido interno. 

“As indicações são especificas para pacientes que têm perda auditiva e não se beneficiam do uso de aparelho auditivo. Com esse procedimento, o paciente pode melhorar muito sua audição chegando, em alguns casos, próximo à normalidade”, explica o médico.


Redescobrindo a audição

Um dos pacientes submetidos à cirurgia, no final de junho, é Fabio José da Silva Brito, de 33 anos. Ele nasceu com perda auditiva do lado esquerdo e com o canal auditivo dos dois ouvidos fechados. Já havia feito três cirurgias de reconstrução, sem sucesso. 

Por causa da deficiência, só conseguiu estudar até a primeira série do ensino fundamental. “Eu tentava estudar mas não entendia o que a professora falava e tinha muita vergonha. Estou muito feliz porque agora vou poder realizar meu sonho de voltar a estudar. Essa é a minha maior expectativa”, revela.

O ponto ancorado no osso é composto de três partes: um implante de titânio de 3 ou 4 milímetros (mm); um pilar (abutment), que fica junto à pele; e um processador de som, que se conecta ao abutment por um encaixe simples, podendo ser removido sempre que houver necessidade, como para dormir ou tomar banho, por exemplo.

“Mesmo antes da cirurgia, fiz o teste com esse novo sistema e é transformador”, conta a advogada Andrea Cristina Zaninelo, de 34 anos. Aos 22 anos, ela teve uma doença respiratória que afetou a sua audição. Ao longo dos anos seguintes, fez diversas cirurgias para tentar abrir o tímpano e chegou a usar aparelho auditivo, mas de nada adiantou. 

Sua maior dificuldade é no ambiente de trabalho, pois ela não consegue distinguir de onde vêm os sons da fala dos colegas. “As pessoas acham que eu não estou dando atenção a elas, mas na verdade eu não entendo o que elas falam. Isso me deixa muito tensa e acabou me isolando do convívio social”, comenta.

Kátia Aparecida Rosa, de 43 anos, vê a cirurgia com expectativa. Sua mãe teve toxoplasmose durante a gestação e, por isso, Kátia nasceu sem as duas orelhas e com a audição comprometida. Já fez várias cirurgias para reconstrução das orelhas, sem sucesso, e nunca pôde usar aparelhos. Ouve apenas com o ouvido direito. “As pessoas falam e eu não escuto, então para não pedir que elas repitam, eu acabo me isolando. Com a cirurgia vou poder ouvir bem e fazer amizades, conversar mais, ser mais alegre e menos tímida. Espero muito arrumar um trabalho.”

A cirurgia para implante de prótese auditiva ancorada no osso é gratuita, coberta pelo SUS. Hoje essa técnica está disponível em cerca de 20 hospitais previamente selecionados para realizá-la.

Mais informações: (16) 3602-1000, no HCFMRP; site http://portuguese.oticonmedical.com

Com informações do Jornal da USP

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